Com tempo e apoio da diretoria para trabalhar, Ricardinho venceu as desconfianças e colocou o Santa Cruz na final. Um time trabalhador e disciplinado, assim como o próprio treinador, que não brinca em serviço. Não dá um sorriso de graça a ninguém.
O sorriso só é permitido à torcida.
Ricardinho chegou ao Recife sem um grande currículo que bancasse sua estada. Era ele e só ele. Leu, ouviu e viu nas rádios, jornais, blogs e programas de TV a torcida do Santa Cruz, na eterna viuvez por Dado Cavalcanti, torcer o nariz para ele.
Mas Ricardinho não é desses de abaixar a cabeça.
Olhou para frente e fez o trabalho dele. E do limão da não participação nas copas do Nordeste e do Brasil fez a limonada de contar com um bem tão escasso hoje em dia: o tempo.
Pelo que leva a crer, Ricardinho aproveitou muito bem esse tempo. Conheceu os jogadores que tinha à mão e testou formações de jogo. Isso tudo ainda podendo errar, um direito que deveria ser garantido a todos, mas que é subtraído constantemente dos técnicos.
E assim sobreviveu a uma estreia desastrosa, goleado em casa num clássico e também ao risco quase sempre iminente de não se classificar para as semifinais.
Perseverou, como dizem os outros.
Driblou a desconfiança da torcida, que viu em campo uma equipe nascer do nada, com um padrão de jogo baseado na insistência, ou persistência, que não desiste. O que ficou claro naquele clássico contra o Sport, quando os jogadores perceberam que havia algo que poderia transformar a limitação técnica em uma força que não conhece limites: a vontade.
Quando eu vi a foto do jogador do Santa com o rosto sangrando após o gol, eu imediatamente pensei comigo mesmo:
Ricardinho conseguiu, fez do Santa sua imagem e semelhança.
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