Foi positivo o saldo do rompimento de apenas dois dias do Bahia com a Fonte Nova. Na renegociação do clube com o gestor do estádio, ficou acertado que o Bahia, entre outras coisas, passa a ter 25% sobre o contrato de naming right assinado com a Itaipava . Na prática, o Bahia se tornou um sócio de fato do empreendimento, o que passa a ser interessante para os dois lados. Causa um maior comprometimento das duas partes em fazer o negócio ir para a frente.
O desgaste da situação só deixa claro que o Bahia, como disse aqui há dois dias, jogou para a torcida na argumentação de que era deixado em segundo plano pelo consórcio que gerencia o estádio. O clube usou do orgulho ferido do torcedor para pressionar o governo do estado e os gestores da Itaipava Arena Fonte Nova para conseguir obter uma melhor negociação.
Faz parte do jogo.
Mas o ponto agora é que o clube precisa, urgentemente, descobrir alternativas para gerenciar melhor o seu principal produto, que é a qualidade do jogo de futebol. Do contrário, o Bahia verá, no médio prazo, que é praticamente impossível querer melhores condições se não é capaz de atrair o torcedor para os seus jogos.
O endurecimento das negociações entre clubes e construtoras é parte do jogo. Só não pode o clube achar que ele é hoje a salvação para os novos estádios. Sem dúvida que as arenas, por mais multiuso que possam ser, dependem muito do futebol para ter boa arrecadação. Mas no nível que está o espetáculo do futebol no Brasil, o caminho mais lógico para os donos de estádios seria pensar em alternativas de eventos para atrair receita.
Depender do jogo de futebol dos times brasileiros é, hoje, um mau negócio. Se tivesse sido usada para receber outros eventos que não jogos dos Estaduais nesses primeiros quatro meses do ano, possivelmente a Fonte Nova teria tido muito mais receita. O problema não é só do Bahia. As exceções, aliás, são Palmeiras e Corinthians. Mas que também são clubes cravados na cidade que tem mais gente no país, o que explica, em parte, porque as médias de público de ambos continua alta, apesar de o Campeonato Paulista ser um evento tão pouco atrativo quanto qualquer outro Estadual.
Agora, um novo contrato de três anos foi assinado. A garantia mínima ficou menor, de R$ 6 milhões, mas o clube tem direito a uma porcentagem maior na bilheteria, além de participar de outras propriedades comerciais do estádio.A principal inquietação do Bahia era a suposta falta de valorização da gestora da Fonte Nova com o clube. Antes, no contrato assinado em 2012, a agremiação baiana recebia porcentagens da bilheteria, com garantia mínima de R$ 9 milhões.
Com o novo contrato, o Bahia recebe por camarotes, assentos premium, catering e até mesmo naming right, que já está vigente. Desde 2013, a Itaipava dá nome à Arena de Salvador, em um acordo de R$ 100 milhões.
Na mesma ideia de tornar o Bahia mais dono do estádio, o clube terá direito a alguns espaços dentro da arena. Haverá dois camarotes para o time, além de um auditório para reunião do conselho, central de atendimento ao sócio-torcedor e sede administrativa. Por fim, haverá uma loja do Bahia de 400 m².
O Bahia também passa a ter voz em decisões referente à administração do estádio e seus eventos. Isso inclui a precificação de ingressos e a logística para a distribuição desses tíquetes.
Erich Beting-uol.com
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