Dados oficiais das finanças da Fifa nas últimas oito temporadas:
Faturamento (revenue): US$ 9.907 bilhões.
Despesas (expenses): US$ 8,938 bilhões.
Superávit de 969 milhões de dólares
Despesas (expenses): US$ 8,938 bilhões.
Superávit de 969 milhões de dólares
Convertendo, um lucro acumulado desde 2007 na ordem de R$ 3,04 bilhões.
Com esse saldo positivo, as reservas da Fifa chegaram a US$ 1,523 bilhão. Mudando para a moeda brasileira, o robusto caixa é de R$ 4,78 bilhões.
No relatório de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2014, o lucro da entidade foi o maior dos últimos quatro anos, de 141 milhões de dólares. Na por acaso, no ciclo financeiro anterior, a maior marca foi em 2010. Justamente os anos da Copa do Mundo na África do Sul e no Brasil, com venda de ingressos, direitos de transmissão, marketing etc. Confira a evolução no gráfico abaixo.
Confira o documento completo com o balanço financeiro aqui.
Neste faturamento, alguns acordos ocorreram na base da propina, como apontou a investigação do FBI, com dados de 1991 a 2014.
A caixa-preta da Fifa, que na verdade vive num tom azul, está sendo aberta…
Cassio Zirpoli
O FBI abalou a estrutura do futebol e tornou verdade a antiga desconfiança
O mundo do futebol acordou com a sensação de alma lavada.
A nebulosa administração da Fifa começou a ruir com as prisões anunciadas pela procuradora-geral dos Estados Unidos, Loretta Lynch.
Uma investigação conjunta do FBI, da receita federal americana e da polícia suíça no melhor estilo CSI, com direito a microfone escondido em chaveiro de dirigente, apurou o esquema de corrupção e lavagem de dinheiro que funciona há pelos 24 anos. Entre 14 primeiros nomes revelados em Nova York, o do ex-presidente da CBF, José Maria Marin. O decano, que empresta o nome à sede da confederação brasileira, foi indiciado junto a outros nove dirigentes da entidade que comanda o esporte e cinco agentes de marketing.
Sem surpresa, Fifa e CBF defenderam a investigação, atestaram a própria lisura e demonstraram interesse em colaborar com o trabalho incessante do Federal Bureau of Investigation. Posicionamento esperado, mas inócuo.
O escândalo de US$ 150 milhões pode (ou deve) ser o prenúncio de uma mudança profunda na estrutura. Da propina para viabilizar negociações de direitos de transmissão, da seleção viciada de sedes de torneios mundo afora (realizados ou não), de comissões escusas em transferências de atletas e até, na base do processo, com a manipulação de resultados.
A princípio, a apuração foi específica, mas as autoridades norte-americanas confirmaram a investigação de outros nomes (fácil imaginar quem seriam). Sem um controle rigoroso, o futebol envolve dinheiro demais em todas as esferas. Oficialmente, o faturamento da Fifa em 2014 foi de US$ 2,096 bilhões. No mesmo período, a CBF arrecadou R$ 519 milhões, segundo o relatório da entidade. No meio disso tudo, o paternalismo na estrutura organizacional e a longevidade dos mandatos suscita um interesse além da conta pelo poder.
Que este 27 de maio de 2015 seja mesmo um marco no futebol.
Até porque os agentes do FBI deverão ter muito trabalho ainda. A polícia federal e a receita federal do Brasil, ainda sem ação, também teriam…
Cassio Zirpoli
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