quinta-feira, 28 de maio de 2015

Marin está em cela individual e passa bem, diz polícia suíça

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O Ministério da Justiça suíça informou nesta quinta-feira que todos os sete dirigentes detidos estão em presos em celas individuais. Todos passam bem de saúde, apresentou comunicado. O ex-presidente da CBF, José Maria Marin, de 83 anos, está entre os detidos.
O local onde os dirigentes estão detidos é mantido em sigilo pelas autoridades da Suíça. A reportagem do UOL Esporte esteve no Consulado do Brasil em Zurique. O departamento informou que aguarda pedido documentado da defesa de Marin para tentar interceder junto à polícia suíça.
Marin e os seis dirigentes da Fifa foram presos na quarta-feira sob a acusação de corrupção, extorsão e lavagem de dinheiro em contratos comerciais de torneios da América do Sul e Central. A investigação foi coordenada pela FBI e contou com o auxílio da polícia da Suíça.
A Justiça dos EUA informou que os envolvidos podem pegar até 20 anos de prisão. As autoridades norte-americanas pediram a extradição dos presos em Zurique.
No entanto, o Ministério da Justiça suíço comunicou que a maioria dos detidos se recusou a deixar a Suíça rumo aos EUA. Neste caso, eles terão de permanecer por pelo menos 40 na Europa.
Relato da detenção na Suíça: lençol branco e sem algemas
Dois repórteres do jornal americano "The New York Times", que estão na Suíça para acompanhar o Congresso da Fifa, presenciaram o momento em que sete integrantes da entidade, incluindo o ex-presidente da CBF José Maria Marin, foram presos no hotel Baur au Lac, em Zurique.

A ação foi levada a cabo pelas autoridades suíças sem grande alarde e sem invasão de quartos. Os oficiais, inclusive, esperaram os dirigentes da Fifa se vestirem, uma vez que as prisões foram realizadas logo no início da manhã, entre 6h e 8h locais.

Palco da operação, o Baur au Lac é um hotel de luxo, com mais de 171 anos e localizado no centro da cidade suíça. Segunda consta em seu site oficial, foi em uma de suas salas que deu-se a criação do Prêmio Nobel.

"Quando o relógio suíço marcou 6 horas, mais de uma dúzia de oficiais de justiça à paisana entraram sem alarde por uma porta giratória localizada na frente do hotel. Eles se dirigiram ao balcão da recepção, em que eles apresentaram documentos do governo e pediram o número dos quartos de algumas das figuras do mais alto escalão do futebol, que estavam no hotel para o encontro anual da Fifa, o órgão que regula o futebol no mundo", relata o jornal.
Uol

Por que o presidente da CBF tem que se preocupar com a investigação do FBI


Presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) até abril de 2015, José Maria Marin foi um dos sete dirigentes do futebol internacional detidos na manhã de quarta-feira (27), em Zurique (Suíça), numa ação liderada pelo FBI (polícia federal americana). Contudo, ele não é o único cartola brasileiro implicado nas investigações sobre corrupção no esporte.
Marco Polo Del Nero, sucessor e atual mandatário da entidade que comanda o futebol nacional, aparentemente é um dos suspeitos listados nos documentos montados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. E isso pode ter efeitos práticos no futuro do esporte nacional.
Del Nero assumiu a presidência da FPF (Federação Paulista de Futebol) em 2003 e teve trajetória ascendente desde então. Membro do comitê executivo da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), ele foi indicado por Ricardo Teixeira, então mandatário da CBF, e passou a integrar o comitê executivo da Fifa em 2012.
O dirigente não chega a ser citado nominalmente em nenhum documento da investigação divulgado Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Em dois arquivos, porém, um dos suspeitos é descrito como membro do alto escalão da Fifa, da Conmebol e da CBF, credenciais que batem com as de Del Nero. As ações desse personagem reforçam indícios de participação do atual chefe do futebol nacional no esquema de corrupção.
Segundo a investigação, duas empresas de marketing esportivo fecharam contratos para compra dos direitos comerciais da Copa do Brasil após negociar pagamentos de R$ 2 milhões anuais de propina a um membro da CBF. Esse conspirador, que seria Ricardo Teixeira, teria lucrado ilegalmente com negociações de contratos da entidade durante a década de 90.
Em 2012, antes de o acordo ser consumado, José Maria Marin (citado nominalmente) e outro suspeito ascenderam ao poder da CBF e também teriam exigido pagamentos ilegais. Isso teria aumentado o valor da propina.
Numa conversa interceptada pela investigação, José Maria Marin chegou a negociar com José Hawilla o pagamento de propina a ele e outro membro da CBF, que seria Del Nero. Questionado se seu antecessor Ricardo Teixeira deveria seguir recebendo pagamentos ilegais, o então mandatário respondeu: "Chegou a hora de vir para nós".
Del Nero também supostamente aparece em denúncia sobre a Copa América. Ele está em lista de personagens que teriam recebido propinas referentes a um contrato com a Datisa, empresa formada em 2013 com participação da Traffic. A companhia desembolsou US$ 317,5 milhões pelos direitos comerciais das edições 2015, 2019 e 2023, além da Copa América Centenário de 2016 (US$ 75 milhões, US$ 80 milhões, US$ 85 milhões e US$ 77,5 milhões, respectivamente). O suspeito recebeu U$ 500 mil, assim como outros dez oficiais da Conmebol.
Del Nero minimiza
Até o momento, a única manifestação de Del Nero sobre o caso aconteceu em entrevista coletiva a jornalistas que estavam em Zurique na terça-feira. O dirigente brasileiro classificou o escândalo como péssimo, mas contemporizou: "Precisamos analisar tudo e saber o que aconteceu". Depois, afirmou que as suspeitas precedem o início da administração de José Maria Marin na CBF, em 2012. "Não há nenhum contrato pós", disse o atual presidente, desmentido pelas datas contidas nos documentos.
No Brasil, a CBF fez grande esforço para que as denúncias não pespegassem em Del Nero. A entidade emitiu nota na terça-feira dizendo que "aguarda, de forma responsável, a conclusão das investigações, sem qualquer julgamento que previamente condene ou inocente". O texto ainda afirma que "a nova gestão da CBF, iniciada no dia 16 de abril de 2015, reafirma seu compromisso com a verdade e a transparência".
Em contato com o UOL Esporte, o secretário-geral da CBF, Walter Feldman, relatou conversa com Del Nero e disse que o presidente não manifestou preocupação sobre o caso. O atual mandatário também negou participação em contratos e em qualquer decisão da gestão de Marin.
Fifa preocupada
No entanto, existe uma preocupação na Fifa sobre a participação de Del Nero. A entidade ainda tenta entender qual foi o real papel de alguns dirigentes no esquema, e o brasileiro é parte desse processo.
Del Nero fez alterações contundentes no quadro de funcionários da CBF após ter assumido a presidência. Há suspeita na Fifa de que o brasileiro pode ter feito isso como forma de se proteger ou de diminuir danos.
A despeito de a investigação ter explodido na terça-feira, trata-se de um processo iniciado há pelo menos dois anos. O empresário J. Hawilla passou meses negociando delação à polícia dos Estados Unidos e prestou depoimento em dezembro de 2014. Portanto, ainda que as prisões tenham sido surpreendentes, dirigentes não foram exatamente surpreendidos e tiveram algum tempo para preparar terreno.
Mesmo com esse processo de blindagem, entretanto, a história debela o capital político de Del Nero. O dirigente já perdeu um de seus vices – Marin foi afastado até a conclusão do processo – e agora está em xeque: fragilizado, com enorme risco de uma investigação mais abrangente chegar a seu quintal.


uol

'É o fim de um império', diz jornalista que denunciou corrupção na Fifa


Autor de vários livros sobre a corrupção na Fifa e em outras organizações esportivas, além de colaborador do FBI nas investigações que levaram à prisão de sete membros da Fifa nesta quarta-feira, o jornalista Andrew Jennings está eufórico com o desdobramento do caso. Em entrevista ao UOL Esporte, ele foi direto:

"Penso que a coisa importante que fica de hoje (ontem) é o fim da Fifa como conhecemos.  (João) Havelange levou o crime organizado à Fifa e ele perdurou desde 1974 até agora. É o fim de um império. Todos os impérios caem. Foi assim com com britânico, com o francês. Até os portugueses tiveram de sair do Brasil. O império da Fifa terminou hoje (ontem)".
Satisfeito com o que aconteceu na Suíça, Jennings tem a certeza de que escândalos ainda maiores virão à tona ao longo das próximas semanas, meses e anos, e que as prisões em Zurique são apenas a ponta do iceberg. Ele acredita que os nomes de Ricardo Teixeira e João Havelange aparecerão em breve nas investigações.

"Apenas espere. É uma longa e abrangente investigação. Eles vão chegar ao nome do Teixeira. Espere. Há muito mais coisa vindo. Isso não termina hoje. Vão pegar o Teixeira. Mas se não o pegarem, os brasileiros deveriam prendê-lo por todos os crimes que ele cometeu contra o futebol", afirmou.

Para Jennings, as investigações envolvendo pagamento de propinas referentes à Copa do Mundo de de 2014 deve ser muito mais um interno do Brasil, uma vez que o país não teve concorrência para receber o evento.

"Não tinha competição. A investigação deve ser feita no Brasil. Está tudo cercado de corrupção", disse o autor e jornalista, que perdeu a conta de quantos telefones recebeu e entrevistas concedeu ao longo de toda a quarta-feira.

Joseph Blatter, presidente da Fifa desde 1998 e favorito absoluto para a eleição prevista para esta sexta-feira, não escapou da língua feroz de Jennings. Após as prisões, o cartola divulgou um comunicado dizendo apoiar as investigações e que tem como objetivo deixar a entidade livre de comportamentos que manchem a sua imagem.

"Penso que Sepp Blatter mente desde que o dia nasceu. Ele é o chefe da corrupção por mais de 15 anos. Ele trabalhou em prol de Teixeira, ajudando Teixeira. Não faz sentido soltar este comunicado".

"A eleição de Sepp Blatter (nesta sexta-feira) não faz sentido. Quem se importa com isso?", completou Jennings.

O jornalista disse ainda que este caso se arrastará por anos, até que todos os investigados parem atrás das grades.

"Vai levar anos. Vai levar tempo para apurarem as coisas na Suíça, depois irão para os Estados Unidos. Muitas evidências virão à tona nos tribunais, durante o julgamento. Depois passarão um longo tempo na prisão", completou. 

uol

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