O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, deu sinal branco para que a CPI da CBF se torne mista, isto é, com participação de deputados e senadores, fortalecendo a investigação do Legislativo no maior escãndalo do futebol nacional, fora das quatro linhas.
A manifestação foi durante reunião como senador Romário, hoje de manhã, em Brasília. Novas articulações com lideranças políticas serão feitas à tarde, para levar adiante a proposta.
Se a CPI Mista da CBF for confirmada, serão necessárias novas assinaturas, mínimo de 27 senadores e 171 deputados, que correspondem a um terço de parlamentares em cada Casa Legislativa. Romário já manifestou o desejo de ser o relator, caso a CPI seja aprovado. Se a investigação for mista, a presidência caberá a um deputado.
Recorde
Ontem, o senador Romário(PSB/RJ) bateu o seu próprio recorde. Quem sabe, o recorde da história do Congresso Nacional. Em apenas duas horas ele conseguiu 52 assinaturas – praticamente o dobro das 27 necessárias – para pedir a instalação da CPI da CBF. A marca anterior era de 24 horas, ainda quando deputado federal, para colher as mais de cem assinaturas exigidas para um CPI na Câmara, que acabou arquivada.
No Senado, Romário voltou a usar o seu prestígio ex-craque e de campeão mundial de futebol, amparado pelo argumento de investigar as denúncias de corrupção na CBF, para colher pessoalmente as assinatura. Agora, é esperar pela leitura do pedido da CPI em plenário, sua aprovação, designação dos membros, escolha do presidente e relator e instalação dos trabalhos. Porém, se for aprovada a CPI Mista, será necessário nova rodada de assinaturas de adesão no Senado.
Deepois, se algum esperto retirar a assinatura poderá se identificar quem está na Bancada da CBF, que é poderosa, mas está fragilizada pelo golpe do FBI, desvendando os trambiques do futebol internacional.
Se a CPI for aprovada, o senador Romário quer ser o relator. É o parlamentar que elabora a pauta de convocações e tem prioridade nas perguntas aos depoentes. Mas é importante que o presidente seja um político que tenha condições de pressionar e impor o cumprimento das decisões da Comissão, porque a pressão da cartolagem será em nível desesperador.
Diante de tudo isso, nem se falou mais em MP da Dívida Fiscal dos Clubes. Será que os cartolas ainda querem “negociar''?
José Cruz- UOL
Após escândalo, senador tenta destravar projeto para que TCU cuide da CBF
Motivado pela prisão de José Maria Marin, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) tentará acelerar a tramitação de seu projeto que prevê investigação do TCU nas contas da CBF. A proposta foi feita no ano passado, logo após a Copa do Mundo, mas está travada.
“Diante dessa investigação feita pela Justiça americana, que atingiu o futebol brasileiro, acho que o momento é propício para aprovar o projeto. Vou acompanhar isso mais de perto agora”, declarou Dias ao blog.
Escorado na tese de que o futebol é parte do patrimônio cultural brasileiro, o projeto estabelece que CBF e federações estaduais sejam obrigadas a encaminhar anualmente suas contas para apreciação do TCU (Tribunal de Contas da União).
As entidades também teriam que comunicar ao COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) suas operações acima de R$ 5.000. O não cumprimento prevê cortes de eventuais benefícios federais e estaduais e bloqueio de possíveis receitas geradas por loterias.
O senador também tenta transformar o projeto em uma emenda da Medida Provisória da moralização do futebol brasileiro.
Dias, que presidiu a CPI da CBF entre 2000 e 2001, disse que não ficou surpreso com a prisão de Marin e o envolvimento do empresário J.Hawilla no escândalo.
“A surpresa foi não chegarem antes aos envolvidos. Na CPI de 15 anos atrás, identificamos uma relação de corrupção entre a CBF e a Fifa. As pessoas foram indiciadas, mas na Justiça federal as ações foram sendo proteladas e até trancadas. Se houvesse uma condenação, novos delitos poderiam ter sido evitados”, declarou o senador.
Perrone
A pior derrota de Marcelo Oliveira no Cruzeiro. River foi melhor
A quantidade de erros de passe do Cruzeiro no Monumental de Nuñez já havia sido assustadora. Em Buenos Aires, o Cruzeiro ganhou graças à postura defensiva e à valentia. No Mineirão, foi pior. No total, 57 passes errados, o que representou um erro a cada quatro trocas. A razão era um time espalhado, com jogadores muito distantes uns dos outros.
Parte da responsabilidade foi de De Arrascaeta, incapaz de de juntar o meio-de-campo com o ataque. O resultado eram passes longos e jogadas individuais apenas. Toda a discussão do futebol brasileiro de hoje envolve o jogo coletivo, que o Cruzeiro foi incapaz de jogar.
O River Plate, ao contrário, conseguiu a segunda ressurreição na campanha da Libertadores, depois de estar quase eliminado contra o Tigres, no México, na fase de grupos. Marcelo Gallardo abriu Carlos Sánchez pela direita, Ariel Rojas pela esquerda e deixou Ponzio atormentando Williams. O resultado foi ter Mora e Téo Gutierrez no mano a mano contra Manoel e Bruno Rodrigo.
A defesa do Cruzeiro, a menos vazada entre os que chegaram às quartas-de-final, foi trágica. O River fez 3 x 0 e ficou barato. Poderia ter sido uma goleada incrível.
27/maio/2015
CRUZEIRO 0 x 3 RIVER PLATE
Local: Mineirão (Belo Horizonte); Juiz: Wilmar Roldán (Colômbia); Wilson Berrio, Alexander Guzman; Renda: R$ 3.646.216; Público: 54.898 (55.951); Gols: Carlos Sánchez 19, Maidana 44 do 1º; Téo Gutiérrez 6 do 2º; Cartão amarelo: Barovero (38’), William (47’), Mercado (48’); Expulsão: Gabriel Xavier 41 do 2o
CRUZEIRO: 1. Fábio (5,5), 22. Mayke (5), 27. Manoel (4), 4. Bruno Rodrigo (4) e 21. Mena (4,5); 5. Williams (5) (7. Joel 26 do 2º) e 8. Henrique (5,5); 30. Marquinhos (4,5), 10. De Arrascaeta (4) (18. Gabriel Xavier, intervalo (4,5)) e 25. William (4) (11. Allisson 10 do 2º (5)); 9. Leandro Damião (4). Técnico: Marcelo Oliveira
Banco: 12. Rafael, 2. Ceará, 3. Léo, 28. Charles, 7. Joel, 11. Allisson, 18. Gabriel Xavier
RIVER PLATE: 1. Barovero (5,5), 25. Mercado (5,5) (20. Pezzella 15 do 2º (5,5)), 2. Maidana (6,5), 6. Funes Mori (6) e 21. Vangioni (6); 5. Kranevitter (6); 8. Carlos Sánchez (7), 23. Ponzio (7) (18. Mayada 27 do 2º) e 16. Ariel Rojas (7); 7. Mora (7) e 19. Téo Gutiérrez (7,5) (10. Gonzalo Martínez 33 do 2º). Técnico: Marcelo Gallardo
Banco: 26. Chiarini, 20. Pezzella, 18. Mayada, 15. Pisculichi, 10. Gonzalo Martínez, 17. Boyé, 9. Cavenaghi
pvc
Conta da Fifa foi usada em pagamento de propina, diz investigação dos EUA
Uma conta da Fifa foi usada para intermediação do pagamento de propina relacionada à compra de votos para a eleição da Africa do Sul para sede da Copa-2010. É o que aponta o relatório do Departamento de Justiça dos EUA. O presidente da federação internacional, Joseph Blatter, fez um discurso nesta quinta-feira tentando se dissociar do escândalo.
A investigação do FBI apontou que o ex-vice-presidente da Fifa Jack Warner, que está preso, aceitou um oferta de US$ 10 milhões para votar em favor do país africano, recusando outra de US$ 1 milhão feita pelo concorrente Marrocos. Uma parte desse dinheiro, US$ 1 milhão, seria dado para Chuck Blazer, outro membro do comitê executivo da entidade.
Esses recursos, teoricamente, seriam pagos pelo governo sul-africano para garantir os votos. Só que o governo do país alegou que teria dificuldades para explicar a utilização dos fundos. E a propina não foi paga até 2008, quatro anos após a escolha. A única forma do suborno chegar aos cartolas foi pela Fifa.
“Arranjos foram feitos com oficiais da Fifa para que em vez disso os US$ 10 milhões da Fifa – que seriam usados para apoiar a Copa da Africa do Sul – fossem para a CFU (Confederação União do Caribe)'', afirmou o relatório norte-americano.
Em janeiro de 2008, um alto oficial da Fifa fez três transferências de conta da Fifa na Suíça para a confederação caribenha. Após esse dinheiro chegar ao Caribe, Warner passou a desviá-lo por meio de empréstimos e outros pagamentos para laranjas. E pagou parte do dinheiro para Blazer.
Warner nega irregularidades. Blazer se declarou culpado e fez delação premiada. Já Blatter desvia sua responsabilidade mesmo quando se trata de operação de conta da própria Fifa.
“Eu sei que muitas pessoas ultimamente me responsabilizam. Mas eu não posso monitorar todos o tempo inteiro. Se as pessoas querem fazer algo errado, elas também vão tentar esconder'', discursou o dirigente nesta tarde na Suíça.
rodrigo matos
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