O estouro do escândalo de corrupção envolvendo dirigentes do futebol, especialmente nas Américas do Sul, Central e do Norte, começou a ser desenhado há quatro anos, antes da eleição para presidente da Fifa. O grupo que “debandou'' de Joseph Blatter e tentou apoiar Bin Hamman é o mesmo que tem muito, mas muito a ver com as investigações que resultaram em todas as prisões desta quarta-feira.
Chuck Balzer, Jack Warner, Nicolas Leoz, Ricardo Teixeira e Julio Grondona eram os principais nomes da política da bola na Concacaf e na Conmebol. Os cinco, numa tentativa orquestrada, se uniram a Bin Hamman para tentar mudar o comando da Fifa e, naturalmente, terem maior influência na entidade mundial.
Blatter percebeu antes a articulação e desmantelou o grupo, revelando escândalos envolvendo esses cinco nomes, que num espaço de dois anos foram perdendo espaço no mundo do futebol.
E aí é que entrou toda a história revelada hoje. No desmantelamento do grupo, a Fifa deu argumentos para o governo americano passar a ir atrás de dinheiro que deveria ter recebido em impostos. Apertou o cerco a Chuck Blazer desde aquele instante. E, assim, foi trilhando o caminho. No ano passado, com o engavetamento, feito pela Fifa, do relatório sobre a gestão temerária da entidade elaborado por Michael Garcia, ex-promotor federal americano, o cerco se apertou ainda mais.
As contribuições com a Justiça feitas por J. Hawilla, Blazer e os filhos de Jack Warner são fundamentais no processo. Mas tais revelações acontecem porque muita gente foi “tirada'' do jogo da Fifa há quatro anos.
E aí é que entra o grande ponto de onde toda essa história pode chegar. Ao desmantelar o modus operandi do futebol nas Américas, a Justiça dos EUA mostra o caminho para poder derrubar o modus operandi do futebol na Fifa. Caso isso venha realmente acontecer, muita gente poderá ainda estar envolvida.
O que isso impacta no negócio? A pergunta foi repetida diversas vezes para mim ao longo do dia. Acho que o ponto crucial é que ele torna mais limpo todo o processo envolvendo o esporte. E isso traz enormes avanços.
Quando há uma melhoria na qualidade dos profissionais envolvidos em qualquer segmento de mercado, há um forte crescimento daquele setor. O futebol poderá, finalmente, desenvolver todo o potencial que existe nele como esporte que mais movimenta as pessoas no mundo. Quando a ganância for substituída pela produtividade, não há como todos não ganharem.
É essa lufada de esperança que existe no momento.
Erich Beting
Del Nero deixa hotel de luxo na Suíça e Fifa confirma retorno ao Brasil
presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, deixou o luxuoso hotel Baur au Lac e está retornando ao Brasil. Ele fez o checkout às 13h47 (horário de Brasília), pouco mais de uma hora depois da abertura do 65º congresso da Fifa em Zurique. Até o momento, ele é o único dirigente que tomou a medida de deixar a cidade após a operação da FBI de prisão de cartolas corruptos na quarta-feira.
Longe do país europeu, Marco Polo Del Nero não irá participar das eleições que irão eleger o novo presidente da Fifa - a votação está marcada para esta sexta-feira (29) e o mandatário tinha declarado seu apoio pela reeleição de Joseph Blatter. O voto brasileiro ainda é possível caso a entidade eleja um outro representante. André Pita e Mauro Carmélio, presidentes da Federação Goiana e Cearense, respectivamente, estão presentes em Zurique e são os possibilitados de representar o Brasil no pleito.
A decisão de Del Nero de não votar surpreendeu até mesmo a CBF. Em contato com o UOL Esporte nesta tarde, o secretário-geral de entidade, Walter Feldman, disse desconhecer a viagem do presidente de volta ao Brasil. "Falei com ele de manhã. Nem chegamos a falar sobre viagem", disse ele, questionado sobre os motivos do retorno.
A saída de Del Nero ocorre apenas um dia depois do FBI prender de sete membros da Fifa - entre eles o ex-presidente da CBF, José Maria Marin - acusados de fazer parte de um esquema de suborno de US$ 150 milhões (cerca de R$ 450 milhões) em questões ligadas a transmissão de jogos e direitos de marketing do futebol na América do Sul e Estados Unidos.
Apesar de não ter o nome citado no relatório do FBI, Marco Polo Del Nero, sucessor e atual mandatário da entidade que comanda o futebol nacional, aparentemente é um dos suspeitos listados nos documentos montados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Em dois arquivos um dos suspeitos é descrito como membro do alto escalão da Fifa, da Conmebol e da CBF, credenciais que batem com as de Del Nero. As ações desse personagem reforçam indícios de participação do atual chefe do futebol nacional no esquema de corrupção.
Após o episódio de prisão dos corruptos, Del Nero falou sobre o tema: "É lógico que isto não é bom, é péssimo. Mas antes temos que saber o que aconteceu", disse o dirigente em seu hotel de Zurique
Após o episódio de prisão dos corruptos, Del Nero falou sobre o tema: "É lógico que isto não é bom, é péssimo. Mas antes temos que saber o que aconteceu", disse o dirigente em seu hotel de Zurique
"Devemos analisar tudo, saber o que aconteceu. Não tenho a menor ideia", complementou, ante a insistência por uma declaração.
Sem Del Nero e Marin, o Brasil fica sem direito a voto na eleição da Fifa. Agora, os únicos representantes presidenciáveis da Conmebol no pleito são o Uruguai e a Colômbia.
Sem Del Nero e Marin, o Brasil fica sem direito a voto na eleição da Fifa. Agora, os únicos representantes presidenciáveis da Conmebol no pleito são o Uruguai e a Colômbia.
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