quinta-feira, 28 de maio de 2015

O escândalo de hoje no futebol começou há quatro anos

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O estouro do escândalo de corrupção envolvendo dirigentes do futebol, especialmente nas Américas do Sul, Central e do Norte, começou a ser desenhado há quatro anos, antes da eleição para presidente da Fifa. O grupo que “debandou'' de Joseph Blatter e tentou apoiar Bin Hamman é o mesmo que tem muito, mas muito a ver com as investigações que resultaram em todas as prisões desta quarta-feira.
Chuck Balzer, Jack Warner, Nicolas Leoz, Ricardo Teixeira e Julio Grondona eram os principais nomes da política da bola na Concacaf e na Conmebol. Os cinco, numa tentativa orquestrada, se uniram a Bin Hamman para tentar mudar o comando da Fifa e, naturalmente, terem maior influência na entidade mundial.
Blatter percebeu antes a articulação e desmantelou o grupo, revelando escândalos envolvendo esses cinco nomes, que num espaço de dois anos foram perdendo espaço no mundo do futebol.
E aí é que entrou toda a história revelada hoje. No desmantelamento do grupo, a Fifa deu argumentos para o governo americano passar a ir atrás de dinheiro que deveria ter recebido em impostos. Apertou o cerco a Chuck Blazer desde aquele instante. E, assim, foi trilhando o caminho. No ano passado, com o engavetamento, feito pela Fifa, do relatório sobre a gestão temerária da entidade elaborado por Michael Garcia, ex-promotor federal americano, o cerco se apertou ainda mais.
As contribuições com a Justiça feitas por J. Hawilla, Blazer e os filhos de Jack Warner são fundamentais no processo. Mas tais revelações acontecem porque muita gente foi “tirada'' do jogo da Fifa há quatro anos.
E aí é que entra o grande ponto de onde toda essa história pode chegar. Ao desmantelar o modus operandi do futebol nas Américas, a Justiça dos EUA mostra o caminho para poder derrubar o modus operandi do futebol na Fifa. Caso isso venha realmente acontecer, muita gente poderá ainda estar envolvida.
O que isso impacta no negócio? A pergunta foi repetida diversas vezes para mim ao longo do dia. Acho que o ponto crucial é que ele torna mais limpo todo o processo envolvendo o esporte. E isso traz enormes avanços.
Quando há uma melhoria na qualidade dos profissionais envolvidos em qualquer segmento de mercado, há um forte crescimento daquele setor. O futebol poderá, finalmente, desenvolver todo o potencial que existe nele como esporte que mais movimenta as pessoas no mundo. Quando a ganância for substituída pela produtividade, não há como todos não ganharem.
É essa lufada de esperança que existe no momento.
Erich Beting

Del Nero deixa hotel de luxo na Suíça e Fifa confirma retorno ao Brasil

 presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, deixou o luxuoso hotel Baur au Lac e está retornando ao Brasil. Ele fez o checkout às 13h47 (horário de Brasília), pouco mais de uma hora depois da abertura do 65º congresso da Fifa em Zurique. Até o momento, ele é o único dirigente que tomou a medida de deixar a cidade após a operação da FBI de prisão de cartolas corruptos na quarta-feira.
Longe do país europeu, Marco Polo Del Nero não irá participar das eleições que irão eleger o novo presidente da Fifa - a votação está marcada para esta sexta-feira (29) e o mandatário tinha declarado seu apoio pela reeleição de Joseph Blatter. O voto brasileiro ainda é possível caso a entidade eleja um outro representante. André Pita e Mauro Carmélio, presidentes da Federação Goiana e Cearense, respectivamente, estão presentes em Zurique e são os possibilitados de representar o Brasil no pleito. 
A decisão de Del Nero de não votar surpreendeu até mesmo a CBF. Em contato com o UOL Esporte nesta tarde, o secretário-geral de entidade, Walter Feldman, disse desconhecer a viagem do presidente de volta ao Brasil. "Falei com ele de manhã. Nem chegamos a falar sobre viagem", disse ele, questionado sobre os motivos do retorno.
A saída de Del Nero ocorre apenas um dia depois do FBI prender de sete membros da Fifa - entre eles o ex-presidente da CBF, José Maria Marin - acusados de fazer parte de um esquema de suborno de US$ 150 milhões (cerca de R$ 450 milhões) em questões ligadas a transmissão de jogos e direitos de marketing do futebol na América do Sul e Estados Unidos.
Apesar de não ter o nome citado no relatório do FBI, Marco Polo Del Nero, sucessor e atual mandatário da entidade que comanda o futebol nacional, aparentemente é um dos suspeitos listados nos documentos montados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Em dois arquivos um dos suspeitos é descrito como membro do alto escalão da Fifa, da Conmebol e da CBF, credenciais que batem com as de Del Nero. As ações desse personagem reforçam indícios de participação do atual chefe do futebol nacional no esquema de corrupção.

Após o episódio de prisão dos corruptos, Del Nero falou sobre o tema: "É lógico que isto não é bom, é péssimo. Mas antes temos que saber o que aconteceu", disse o dirigente em seu hotel de Zurique
"Devemos analisar tudo, saber o que aconteceu. Não tenho a menor ideia", complementou, ante a insistência por uma declaração.

Sem Del Nero e Marin, o Brasil fica sem direito a voto na eleição da Fifa. Agora, os únicos representantes presidenciáveis da Conmebol no pleito são o Uruguai e a Colômbia. 



uol

Ministro da Justiça pede, e PF investigará corrução no futebol brasileiro


O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, solicitou a abertura de inquérito para investigar se foi praticado no Brasil crime relacionado ao suposto esquema de corrupção envolvendo dirigentes de futebol. O processo tramitará na Superintendência da PF no Rio de Janeiro.
A decisão foi comunicada ao gabinete do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot. Cardozo e o procurador-geral vão se reunir nos próximos dias para acertar detalhes sobre o assunto.
"Recebemos uma solicitação de cooperação internacional dos Estados Unidos a qual não posso falar do conteúdo porque está submetido a sigilo. O Brasil tem a firme posição, por meio do Ministério da Justiça, de colaborar naquilo que for necessário com as autoridades policiais dos Estados Unidos ou de quaisquer outros países que por ventura queiram investigar esses fatos", afirmou Cardozo, em entrevista coletiva concedida nesta quinta-feira (28).
A PF já fez uma busca e apreensão na sede da empresa Klefer, do ex-presidente do Flamengo Kléber Leite, que é um dos investigados pelo Departamento de Justiça Americano. Inicialmente, a PGR informara que a colaboração com os norte-americanos, se ocorresse, seria em sigilo.
Há uma urgência e interesse do governo, no entanto, em intensificar investigações sobre a CBF. Até porque o governo tem um plano de reformulação do futebol por meio de medida provisória editada pela presidente da República, Dilma Roussef,  que sofre resistência da própria confederação.



uol


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