Erich Beting
Aos poucos, a “seca'' do patrocínio máster no futebol brasileiro vai chegando ao fim. Na Série A do Brasileirão, por exemplo, agora apenas Goiás, Santos e São Paulo não possuem um patrocinador principal na camisa. Mas, a julgar pelo que acontece no movimento desses patrocínios, a decisão das empresas é muito mais emocional do que racional (detalhes aqui).
Metade dos patrocínios da Série A são de empresas públicas: Caixa (Chapecoense, Figueirense, Atlético-PR, Coritiba, Corinthians, Flamengo, Vasco e Sport) e Banrisul (Grêmio e Inter). Dos outros sete clubes com patrocínio no espaço mais nobre do uniforme, a decisão de patrocinar o clube foi absolutamente passional. Em todos os casos, as empresas são de capital privado, sem ações em Bolsa, e ainda os donos geralmente têm o poder de decisão absoluto sobre o investimento.
O novo integrante desse grupo é o Cruzeiro, que “estreou'' o Supermercado BH no último domingo . Mas o caso mais enfático é o do Palmeiras, que teve na família Lamacchia um mecenas que contribui com R$ 45 milhões no ano (entre os aportes da Crefisa e da FAM).
Em comum, todos os negócios são milionários e, não por acaso, os clubes, além de serem de grande torcida, estavam sem um patrocinador máster após a saída de um antigo parceiro. Essa situação só reforça o amadorismo da decisão. Em vez de estudarem o que buscam com o patrocínio, essas empresas alimentam uma situação ilusória no futebol.
Os clubes precisam se enxergar como uma plataforma de geração de negócios para seu patrocinador. Até hoje, as propostas comerciais de patrocínio procuram muito mais exaltar o clube e sua história do que mostrar quais soluções podem ser dadas para uma empresa que se associa a ele.
Quando começarem a fazer isso, os clubes voltarão a abrir suas portas para as empresas de capital aberto, que geralmente têm muito mais dinheiro para investir e entende a necessidade de longevidade de um patrocínio. Não por acaso, no fim do ano, de todos os clubes da Série A, apenas três têm contrato de patrocínio máster assegurado: a dupla Grenal e o Palmeiras, que passará de novo pelo mesmo perrengue em dezembro do ano que vem…
Enquanto os clubes seguirem com propostas amadoras para os eventuais parceiros comerciais, jogarão para a torcida com o argumento da crise para não conseguirem negócios. Ou precisarão fatiar o uniforme para diversas marcas, sem enxergar que o negócio dele não é a vitrine da exposição na mídia, mas o produto do relacionamento com uma base de consumidores absolutamente fiéis à marca.
Por Duda Lopes
Por Duda Lopes
Cruzeiro fecha máster e reforça “padrinhos” no futebol brasileiro
Empresas estatais e empresários torcedores dominam os patrocínios másters da Série A
Após nove meses sem um patrocinador máster, o Cruzeiro finalmente apresentou um parceiro. O novo aporte, no entanto, não é tão novo assim. A empresa é questão é o Supermercados BH, que pertence a um conselheiro do clube.
Pedro Lourenço de Oliveira, sócio-diretor da rede de supermercados, já investiu até em contratação de novos reforços para o Cruzeiro neste ano. Em nota oficial, o presidente do clube, Gilvan de Pinho Tavares, chegou a chamar de “dever de cidadão mineiro” o investimento realizado pelo conselheiro cruzeirense.
O Supermercados BH, no entanto, não está sozinho nessa iniciativa. A grande maioria dos patrocinadores máster da Série A do futebol brasileiro tem dois tipos de padrinhos: governo ou torcedores fanáticos, como é o caso do Cruzeiro.
Somente a Caixa patrocina oito clubes da Série A do futebol brasileiro, entre eles, o Corinthians, que carrega o contrato de maior valor entre as equipes: R$ 30 milhões. Em tempo de acordo, a maior parceria é entre a dupla Grêmio e Internacional e o Banrisul, outra empresa estatal no mercado esportivo do país.
Entre os torcedores-investidores, o mais notável é José Roberto Lamacchia, que também tirou um jejum de patrocínio máster, precisamente o do Palmeiras. Com a Crefisa e com a Faculdade das Américas, o executivo palmeirense investiu mais de R$ 40 milhões neste ano.
E a lista tem mais nomes. Em Minas Gerais, por exemplo, o Cruzeiro não é o único a depender da paixão alheia. O atleticano Rubens Marins, presidente da MRV Engenharia, colocou a empresa como patrocinador máster de seu clube de coração. E foi além: a companhia cedeu um terreno para a construção de um estádio para o Atlético e deve ser o principal investidor da obra.
Por fim, completa a lista de padrinhos do futebol o empresário Neville Proa, que decidiu adotar os quatro clubes do Rio de Janeiro. Após quatro anos com o Botafogo, a empresa fechou com Flamengo, Vasco e Fluminense neste ano.
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