sexta-feira, 1 de julho de 2016

Messi, do tango à milonga

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Nem na Guerra das Malvinas a Argentina se mobilizou dessa forma: do presidente ao gari, num único clamor – Queda-te, Lio!
Até outro dia, não eram poucos os argentinos que olhavam de esguelha a presença de Messi com a camiseta alviceleste do seu país. Só joga no Barça, era o mote que rolava nas calles de Buenos Aires. Não ganhou nada e tal e cousa e lousa e maripousa.
Só havia uma unanimidade: Messi, assim como Maradona, é melhor do que Pelé.
Mas, isso não é novidade para os argentinos, que, muito antes de Messi, Maradona e Pelé, desterraram de seu coração o  imenso Alfredo Di Stefano, considerado pelo mundo inteiro naquela primeira metade dos anos 50 o maior jogador do mundo, mas que não era sequer cogitado para a Seleção Argentina desde sua partida, no final dos 40, para a Liga Pirata da Colômbia e, depois, no Real Madrid tão vitorioso.
Di Stefano chegou a defender a Seleção da Espanha, na Copa de 62, só pro amigo ter uma ideia, embora machucado não tenha jogado ao lado do húngaro Puskas na chamada Legião Estrangeira da Fúria.
Aliás, o argentino sempre me surpreendeu. Povo com um nível escolar muito superior ao nosso, por exemplo, é dado a paixões desenfreadas. Talvez como herança da religiosidade ibérica dos colonizadores, combinada com o sangue ardente da forte imigração itálica, vive a construir andores para seus ídolos santificados, da mesma forma com que os destrói num piparote. Isso, sem perder o balanço da picardia, outro traço característico dos hermanos. É o tango e a milonga – a tragédia e a comédia.
Basta dizer que até criou-se lá uma tal Igreja Maradonista, em celebração ao talento de Maradona. O mesmo que, no início da  Copa América, advertiu os jogadores de seu país: se não trouxerem a taça, nem voltem pra Argentina. Pois, o mesmo craque, agora, pede que Messi reconsidere sua decisão de abandonar a Seleção.
O fato é que, ao perder aquele pênalti fatídico na decisão com o Chile, depois de uma atuação apagadíssima, Messi foi para os vestiários com a certeza de que seria queimado em praça pública no seu país, pois não estava predestinado mesmo a ganhar nenhum título importante defendendo a Argentina, ainda que tenha se transformado durante esta competição no maior artilheiro da história da camisa alviceleste.
Deu-se o oposto: um comovente apelo nacional pra que fique.
Uma reviravolta inesperada, que abre mais uma temporada de ansiedade para o melhor jogador do mundo dos últimos tempos.

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