sábado, 24 de setembro de 2016

FC Porto-Boavista, 3-1 (crónica)

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Reação à perda após a inércia


O FC Porto reage. É a sua principal caraterística neste início da época, a par da inércia em jogos recentes, como os empates frente a Copenhaga e Tondela. Quando se vê a perder, o Dragão responde com autoridade e orgulho. Na raça, a suar a camisola, a honrar o seu estatuto. Sobretudo pelas ações de Otávio e André Silva, dois jovens que vão alimentando o futebol ofensivo da formação azul e branco.
Três golos na resposta à vantagem inicial e pouco justificada do Boavista (3-1). Desfecho natural neste dérbi da Invicta. O 4-1-3-2 (ou 4-4-2, como preferirem) de Nuno Espírito Santo, porém, não permite sono descansado aos adeptos do clube. A obra está inacabada. E, sobretudo, os adeptos pedem ação antes da reação.
Sem surpresa, Nuno avançou para o nono jogo da época com mais uma dose de mudanças no onze. Desta feita foram quatro, passando Rúben Neves de titular a não-convocado, Herrera novamente no banco, Brahimi de novo por lá, Adrián López a substituir Depoitre.
André André envergou a braçadeira de capitão e fez tripla com Óliver e Otávio. O espanhol surgia pelo centro, no apoio mais direto a Danilo Pereira. O português pendia para a direita, o brasileiro para a esquerda. Davam criatividade no eixo mas não se desdobravam para chegar aos flancos.
O Boavista, vindo de duas derrotas consecutivas, procurava igualmente uma nova fórmula para atingir o sucesso. Erwin Sánchez mudava cinco unidades, da baliza à frente de ataque, estreando por exemplo o guarda-redes Kamram Aghayev e o criativo Iuri Medeiros. Seria um dos repetentes, ainda assim, a causar surpresa no Dragão.
Grande mérito de Henrique após livre cobrado por Fábio Espinho. O central axadrezado surgiu entre André Silva e Felipe, parecendo estar ligeiramente adiantado. Cabeceamento sem hipóteses para Iker Casillas.
O FC Porto sofria novo golo de bola parada, trazendo à memória os primeiros jogos da época. Um tento de Marcelo e um autogolo de Felipe permitiram vantagens de Rio Ave, em Vila do Conde (1-3), e AS Roma no Estádio do Dragão (1-1). Nos dois casos, a equipa de Nuno reagiu.
A capacidade de resposta é de facto a melhor notícia da ronda para a formação e branca.
O FC Porto denota capacidade de reação à perda, ao sentimento de injustiça clara do marcador. Quando sofre primeiro, aumenta os níveis de intensidade e corre como se não houvesse amanhã. Em Alvalade, por outro lado, começou a ganhar. Quando caiu sentiu-se sem argumentos.
Foi então uma equipa de resposta, de combate à adversidade precoce, em cima de um adversário com linhas recuadas desde cedo. O Boavista passou largos períodos longe da baliza de Iker Casillas. Quando a voltou a procurar já estava em desvantagem no marcador.
A reviravolta do FC Porto, porém, não pode ser dissociada da influência decisiva de um génio. Os dragões cercaram o adversário, é certo, viram Danilo Pereira cabecear ao poste mas a resposta estava nos pés de Otávio, do menino que vai crescendo a olhos vistos no regresso ao clube.
Otávio criou, André Silva concretizou. É curioso que, chegamos à segunda metade de setembro, continuem a ser dois miúdos (21 e 20 anos) a carregar em ombros esta formação azul e branca. Demasiada responsabilidade para jovens a quem dificilmente pode ser exigida consistência exibicional.
André Silva, por exemplo, falhou oportunidades flagrantes no nulo frente ao Tondela. Nesta sexta-feira, em contraponto, voltou aos golos em dose dupla e colou-se a Marega, avançado cedido ao V. Guimarães, na lista de melhores marcadores da Liga.
No reencontro com o Boavista, a quem marcou neste palco o seu primeiro golo com a camisola azul e branca, André Silva bisou. Desde esse dia, na última jornada da Liga 2014/15, foram 11 jogos oficiais e 8 golos pelo FC Porto. É justo pedir mais?
O avançado começou por aproveitar um cruzamento delicioso de Otávio, em jogada de insistência, convertendo mais tarde uma grande penalidade conquistada precisamente pelo brasileiro. Não restam dúvidas em relação à carga de Henrique sobre Otávio, já perto do intervalo, após trabalho genial do brasileiro.
O Boavista permitia a reviravolta com naturalidade. Pouco fizera desde o golo para o impedir. Limitou o seu jogo ofensivo nesse período a apontamentos interessantes de Bukia na esquerda. Iuri Medeiros, do outro lado, pouco se viu.
Com um FC Porto a depender dos seus laterais para ter profundidade nos flancos, os homens de Erwin Sánchez mostraram-se incapazes de explorar a lacuna para contra-ataques rápidos.
Decorria já o minuto 64 quando Carraça desferiu um remate de meia distância e colocou Iker Casillas em sentido. Era o mote para fase de maior pressão do Boavista, com a complacência de uma formação portista que deixava o jogo correr naquela diferença mínima, curta, perigosa.
Digas caiu na área em lance com Alex Telles e o banco axadrezado ficou a pedir grande penalidade mas Nuno Almeida mandou seguir. De facto, o lateral parece tocar na bola. Mais tarde, seria Schembri a reclamar castigo máximo, de novo com o árbitro a nada assinalar. Aqui com mais dúvidas sobre a legalidade do lance. Felipe corta a bola, Schembri queixa-se de empurrão de Óliver. Pelo meio, Jota caiu na outra área em duelo com Henrique. Muitas queixas, o mesmo desfecho: segue o jogo.
Já com sangue novo dos dois lados, o FC Porto viria a confirmar o triunfo com um frango tremendo do estreante Kamram Aghayev.
O guarda-redes azeri levantou as mãos para travar um cruzamento de Alex Telles e…a bola passou. O 3-1 caiu do céu e fechou contas no Dragão. O primeiro de três jogos em nove dias para o FC Porto. Seguem-se visitas aos redutos de Leicester e Nacional da Madeira. Terceira derrota consecutiva para o Boavista.


FC Porto-Boavista, 3-1 (destaques)


Otávio a criar e André Silva a concretizar

O MOMENTO
Minuto 40, grande penalidade: Depois de ter colocado o Boavista em vantagem no jogo, Henrique viu-se novamente em destaque. Desta vez, depois de tentar tudo para travar Otávio, que ia serpenteando pela área dos axadrezados, acabou por pisar o jogador portista, cedendo assim uma grande penalidade, que daria o 2-1 do FC Porto.
A FIGURA
André Silva: À sexta jornada já leva quatro golos marcados na Liga, igualando Marega no topo da tabela de marcadores. Voltou aos golos (e logo a dobrar) no momento certo, após um jogo pouco conseguido em Tondela. Respondeu bem a um cruzamento de Otávio e fez o primeiro, mas nem quis parar para festejar. Ainda na primeira parte, voltou a mostrar-se à altura quando chamado pelo técnico para bater o penálti. Apesar da idade, mostra uma frieza e concentração na conversão das grandes penalidades.
OUTROS DESTAQUES
Otávio: É sobretudo ele quem alimenta o ataque portista. Muito forte na progressão com bola, foi uma dor de cabeça para os defesas do Boavista. Fez o cruzamento para o primeiro golo de André Silva e ganhou a grande penalidade que o companheiro aproveitou para fazer o segundo. Henrique tinha tentado tudo para o travar, só em falta o conseguiu.
Óliver: A capacidade de encontrar o buraco da agulha para fazer passar a bola num encontro em que, em muitos momentos, o Boavista jogou com um bloco muito compacto. Forte também nas recuperações de bola a meio campo.
Adrián Lopez: Chamado por Nuno Espírito Santo para substituir Depoitre no 4x4x2, mostrou ser uma boa opção para fazer dupla com André Silva. Mais apagado no início, foi crescendo no jogo, com passes e cruzamentos para a área. Em alguns lances denotou ainda alguma falta de entrosamento.
Alex Telles: Fez o 3-1 do FC Porto ao tentar cruzar para a área, numa bola que Agayev viu fugir-lhe por entre as mãos. Logo a seguir, num potente remate à baliza, obrigou o guardião boavisteiro a responder com uma grande defesa. Neste 4x4x2, cabe aos laterais portistas a missão de subir pelos flancos e foi isso que foi fazendo, até porque viu que o adversário não tentava explorar esse caminho.
Bukia: O único, na primeira parte, a fazer mexer o ataque do Boavista e a conseguir levar perigo (tirando o golo de bola parada) junto da área do FC Porto. Na segunda parte continuou o percursor das iniciativas ofensivas axadrezadas, conseguindo subir mais vezes, e ainda tentou um chapéu a Casillas.
Carraça: Constantemente obrigado a recuar para ajudar a defesa, foi protagonista de alguns cortes cruciais. Na segunda parte, com um remate de fora da área tentou surpreender o guardião portista, que só à segunda segurou.

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