sábado, 24 de setembro de 2016

Sporting-Estoril, 4-2 (crónica)

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Pegar nas memórias positivas para sarar as feridas

A crosta caiu. Após duas derrotas consecutivas, o Sporting regressou aos triunfos, diante do Estoril, e para sarar as feridas começou por pegar na única memória positiva que guardava da queda em Vila do Conde.
Essa foi a melhor forma de reagir à derrota com o Rio Ave (mais do que o desaire em Madrid, obviamente): se o único golo apontado ao Rio Ave tinha nascido de uma assistência de Gelson para Bas Dost, foi daí que se partiu.
E se no passado domingo a equipa leonina foi para o intervalo com três golos de desvantagem, desta vez chegou a meio a vencer por um a zero, e sem qualquer sobressalto, tal o controlo que cedo assumiu.
O Estoril até protagonizou o primeiro lance de perigo do encontro, mas insistiu em «amarras» já vistas em tempos recentes frente aos «grandes». A equipa de Fabiano Soares procurou fechar bem a zona central, mas deixou vias abertas na alas, à mercê dos regressados João Pereira e Jefferson.
Com Mattheus mais recuado, no apoio a Afonso Taira e Diogo Amado, o Estoril não só falhou a ligação ao esforçado Paulo Henrique, como ainda permitiu que William Carvalho jogasse «de cadeirinha», a virar o centro do jogo sempre que necessário, com o Sporting a encontrar desequilíbrios pelas alas.
Com segurança e eficácia, a formação leonina conseguiu sentenciar o jogo numa fase ainda inicial da segunda parte, com alguma naturalidade. Primeiro de bola parada, com Coates a saltar mais alto do que Moreira na sequência de um canto e a marcar de cabeça (59m); e depois com William Carvalho a aproveitar a tal liberdade para assistir o «bis» de Bas Dost (62m).
O Princípe William de Alvalade (ou Sir, como preferirem) até ficou a dever um golo a si mesmo, ao minuto 78, depois de uma arrancada que acabou com um remate torto na área, após combinação com Gelson.
A entrada de Bruno Gomes dinamizou o ataque do Estoril, que ainda conseguiu dois golos em Alvalade (85 e 90m), aproveitando uma transição rápida e um lance de bola parada, mas pelo meio o Sporting chegou ao quarto golo, pelo estreante André (90m), pelo que a vitória leonina nunca chegou a ser verdadeiramente ameaçada.







Sporting-Estoril, 4-2 (destaques)


Da «cadeirinha» de William à ligação Gelson-Bas Dost

A figura: Bas Dost
O primeiro «bis» de leão ao peito, empatando o número de golos com o número de jogos (4). Sabendo aquilo que Jorge Jesus costuma pedir ao ponta de lança, é fácil perceber que o holandês ainda tem aspetos a melhorar, sobretudo sem bola, mas já vai encantando Alvalade com aquilo que lhe é mais natural: empurrar a bola para o fundo da baliza, seja com a cabeça ou com o pé.
O momento: Moreira não teve tamanho para Coates
Apontado numa fase ainda embrionária da segunda parte (minuto 59), o segundo golo leonino deixou o encontro praticamente sentenciado. Coates saltou de cabeça até onde Moreira não chegou com as mãos e aumentou a vantagem.
Outros destaques:
Gelson Martins
O menino continua endiabrado. Voltou a assistir Bas Dost, tal como em Vila do Conde, e já soma três passes para golo (e dois golos) em sete jogos realizados. Até podiam ser já quatro oas assistências, se William não tivesse desaproveitado o passe de bandeja (78m).
William Carvalho
Gozou de estranha liberdade, por força de um posicionamento mais recuado de Mattheus, e foi funcionando como pêndulo da equipa, mudando o centro do jogo quando algum caminho se fechava. Na segunda parte arriscou um pouco mais, e faz uma primorosa assistência para o segundo golo de Bas Dost. Está ainda envolvido no lance do quarto golo leonino, já depois de ter desperdiçado a oportunidade de entrar também na lista de marcadores.
André
Estreia a marcar, ao terceiro jogo de leão ao peito, e algumas indicações positivas, sobretudo após a saída de Bas Dost, assumindo o papel de unidade mais adiantada da equipa.
Paulo Henrique e Bruno Gomes
Lançado de início, Paulo Henrique deu dores de cabeça a Coates e Rúben Semedo, deixando algumas indicações do potencial que já mostrou no futebol europeu, mas denunciando também as limitações físicas que apresenta nesta altura, após um ano de paragem. Mais apto nesta altura, Bruno Gomes saltou do banco para apontar os dois golos do Estoril e despertar a curiosidade para próximos capítulos.

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