Botauto
Com direito a gols de personagens históricos, como Isaías e Wamberto, preliminar do clássico teve emoção e o reconhecimento da torcida de Auto Esporte e Botafogo-PB
Quem chegou mais cedo ao Estádio Almeidão no domingo pôde reviver um pouquinho da história do clássico entre Auto Esporte e Botafogo-PB. O "Botauto das Antigas", uma promoção para comemorar os 78 anos da Rádio Tabajara, reuniu ex-jogadores que levantaram a torcida na preliminar.
Na verdade, foram dois jogos de 45 minutos: o primeiro, com a turma dos quarentões, que reuniu jogadores que fizeram a história recente do clássico pessoense, como Lúcio, Washington Lobo, Maurício Cabedelo, Raminho, Betinho, Pêta, Batistinha, Aírton, Beto e Esquerdinha. Já a segunda partida envolveu craques das décadas de 80 e 90, como Magno, Nicácio, Chico Matemático, Silvinho, Wamberto e Isaías.
O Botafogo-PB acabou vencendo os dois jogos - o primeiro por 1 a 0, e o segundo por 3 a 1. Mas o clima de festa era evidente, tanto que a torcida do Auto Esporte não cansou de comemorar o gol de Isaías. Aliás, o Profeta fez questão de lembrar o passado de algoz do Belo.
(Foto: Amauri Aquino/GloboEsporte.com/pb)
- Conquistei três títulos pelo Auto, o que me dá uma afinidade muito grande com a torcida. A prova é a homenagem que essa diretoria prestou, me colocando como o maior ídolo da história do clube. Realmente, sempre dei sorte contra o Botafogo. Quando havia um Botauto, sempre começava 1 a 0 para o Auto Esporte, já que sempre marcava - brincou
No lado do Botafogo-PB, o destaque foi para uma dupla que está na história de um dos momentos mais marcantes do clube. Magno e Nicácio participaram da vitória contra o Flamengo, pelo Campeonato Brasileiro de 1980, em pleno Maracanã - até hoje considerada a maior façanha do Belo. Magno lembrou com saudade os velhos tempos.
- O futebol daquela época era diferente. Era um futebol alegre, divertido. Naquela época, jogávamos com um volante. Hoje, se joga com três. O torcedor hoje está mais carente. São outros tempos,. é verdade. Quando eu jogava, o Botauto começava nas praias, na Epitácio Pessoa. Era todo mundo falando do jogo - lembrou Magno, que iniciou a jogada do gol de Wamberto.
Outro jogador do famoso time de 1980, o lateral Marquinhos não entrou em campo. Mas fez questão de ir ao Almeidão prestigiar a festa.
- Não deu para entrar em campo, mas fiz questão de ir ao Almeidão e ver os velhos amigos. Foi muito bom ver Magno e Nicácio em campo, e jogando bem. Me faz voltar no tempo - disse o ex-jogador.
No fim da partida, um dos momentos mais emocionantes do Botauto: o reconhecimento dos torcedores. Cada jogador teve o seu nome gritado nas arquibancadas e pôde reviver um pouquinho da história. Em retribuição, jogaram as camisas para a torcida. Magno, por exemplo, saiu de sunga. Nicácio, com os olhos marejados, não escondia a emoção.
(Foto: Expedito Madruga)
-É muito bom estar aqui. Muita saudade. Saudade é bom, mas a gente não mata a saudade. A gente revive esses momentos. Amanhã, por exemplo, estarei lembrando com muita emoção esse jogo. E também é muito difícil saber que na segunda-feira não terá mais nada disso...
Emoção... Uma palavra que pode muito bem definir o Botauto das Antigas.
Quatro toneladas de alimentos arrecadadas
O "Botauto das Antigas" também foi sinônimo de solidariedade. A partida arrecadou alimentos para o Hospital Padre Zé, que presta importante trabalho na capital paraibana e vai completar em março 80 anos de fundação. Segundo o balanço parcial, cerca de 4 toneladas foram arrecadadas, o que fez a superintendente da Rádio Tabajara, Maria Eduarda Santos, já pensar em outros eventos similares.
- O sucesso do Botauto das Antigas nos dá a responsabilidade de continuar tocando esse projeto nos próximos anos. E realizar outros similares em outras cidades. Nós queremos ir para Campina Grande para fazer algo parecido no Clássico dos Maiores. E que fique marcado no calendário dos clássicos paraibano - frisou Maria Eduarda Santos.
globo.com
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