quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Ex-Santos só queria aparecer na TV para a mãe. Virou o “rei dos estaduais” - DURVAL





Ex-Santos só queria aparecer na TV para a mãe. Virou o “rei dos estaduais”


Durval com o troféu da Copa do Brasil: 11 títulos estaduais em 4 estados e no DF   Resultado de imagem para DURVAL SPORT
Durval com o troféu da Copa do Brasil: 11 títulos estaduais em 4 estados e no DF

Lá se vão vinte anos desde que um heroi improvável do futebol nacional disputava os Jogos Escolares da Paraíba com o time da pequenina cidade de Cruz do Espírito Santo. Era o mais novo de dez irmãos, cortador de cana ainda na adolescência, chamado Severino dos Ramos Durval da Silva. Amigos nos canaviais, em casa e nos campinhos do interior paraibano o chamavam de Ramo.
Carregava um sonho que pode até ser considerado um clichê para os padrões dos protagonistas do esporte no país, mas que parecia inalcançável para quem estava naquela condição. "Meu maior sonho era aparecer na televisão jogando bola, para minha mãe poder me ver", contou UOL Esporte, na última sexta-feira, 30.
Nessas duas décadas, Ramo rodou a Paraíba, Pernambuco, Paraná, São Paulo, o Brasil inteiro, o continente, jogou até no Japão. Adotou seu terceiro nome, Durval, e o cravou na história do futebol brasileiro por ser o jogador que mais vezes conquistou títulos estaduais: 11 troféus em quatro Estados e no Distrito Federal. Podem ser incluídas, também, um título da Série B do Brasileiro (2004), bicampeonato da Copa do Brasil (2008 e 2010), uma Libertadores (2011), Recopa Sul-Americana (2012) e até Super Clássico das Américas (2012), Copa do Nordeste (2014).
"Tem um pouco de sorte da minha parte de estar em equipes campeãs, mas tem também o fato de um clube está montando um grupo e me vê como um jogador que possa se encaixar no elenco que eles querem para disputar título", justifica com seu onipresente tom tímido, em entrevista após treino no CT do Sport Recife, clube que defende atualmente.
A personalidade é que o torna uma figura incomum no nosso futebol. Durval nunca se valeu de um penteado diferente, ou frases marcantes e nem mesmo de gols para se firmar nas equipes por onde passou. Suas entrevistas são raras e curtas, jamais abriu a casa para mostrar a família ou sua galeria de troféus e medalhas. "Não é que não goste de entrevista, só acho repetitivo. Às vezes, fico uns 30 dias sem falar com a imprensa, porque aí sim vem uma pergunta diferente", justificou.
Ele compensa a ausência de marketing com uma boa preparação física, segurança na defesa e comprometimento. Por isso, foi titular em todas as equipes em que atuou, principalmente no Santos naquela irretocável campanha do terceiro titulo da Libertadores, em 2011. "Encaixamos certinho naquele time. Fico muito feliz por ter ficar aquelas quatro temporadas no Santos, com aquela sensação de dever cumprido. Cheguei pela porta da frente, saí pela porta da frente, sem fazer bagunça."
Durval x Messi
Antes de partir, no entanto, Durval passou por um dos momentos mais complicados dentro de campo: marcar Lionel Messi na final do Mundial de Clubes, no Japão, ainda em 2011. "Marcar, não. Tentar marcar o cara [Messi]. Ele é muito inteligente, com aqueles dribles curtos. A gente imagina uma coisa e ele já imagina duas coisas antes de você. Assim fica difícil, né?".
Para ele, aqueles 4 a 0 na final para o Barcelona não foram por acaso. "Fomos campeões da Libertadores, por isso foi bom estar lá naquela final, mas, por outro lado, foi infelicidade a nossa pegar ter de enfrentar o Barcelona, não tínhamos condições de vencê-los, eles eram muito, muito, muito superior à nossa equipe", admitiu, resignado.
Com a autoridade de quem viu Neymar em seus primeiros momentos entre os profissionais do Santos, de 2010 a 2013, Durval acredita que verá o antigo parceiro de equipe ser eleito o melhor do mundo em breve. "É gratificante para mim ver onde o Neymar está hoje. Gosto demais dele, está mais maduro, e, do jeito que está jogando, daqui dois ou três anos vai ser o melhor do mundo", previu.
Durval se diz feliz e satisfeito no Sport, clube pelo qual já ergueu cinco troféus estaduais, não faz planos de parar de jogar, mas revela que aquele sonho de 20 anos atrás, dos tempos de Jogos Escolares da Paraíba, de apareceu na televisão  materializou-se após a conquista da Libertadores. Sabendo que é capaz de realizar desejos improváveis, Durval não para de sonhar. "Quero ser campeão da Série A do Brasileiro, é um campeonato difícil, mas se os times do Sul e Sudeste vacilarem, a gente chega", avisou.
uol.com- Daniel Brito




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