São Paulo imita Corinthians, Atlético Mineiro, Flamengo. E coloca nas alturas o preço dos ingressos da semifinal da Libertadores. Com aval da Justiça. Para desespero do Procon e Ministério Público…
Não adianta. Seja o clube brasileiro que for. Se conseguir atingir a semifinal e a final da Libertadores, o preço dos ingressos fica exorbitante. Explorar o amor do torcedor ao clube é a marca registrada dos dirigentes deste país. Foi assim com o Santos, Corinthians, Atlético Mineiro. A diretoria do São Paulo não fez diferente para a partida contra o Atlético Nacional, no Morumbi, dia 6 de julho.
Os preços ficarão entre R$ 150,00 e R$ 400,00.
Para os sócios-torcedores.
A tradição está mantida.
A mudança foi radical em relação ao seu início de caminhada na maior competição sul-americana. Contra o Cesar Vallejo, na Pré-Libertadores, os bilhetes, no Pacaembu, custaram entre R$ 70,00 e R$ 140,00. Desde daí, só subiram. Na fase de grupos, no Morumbi, de R$ 30,00 a R$ 180,00. O preço foi mantido contra o Toluca.
Aí veio o Atlético Mineiro nas quartas. Os torcedores já tiveram de pagar entre R$ 50,00 e R$ 220,00. O São Paulo conseguiu o recorde de público no Brasil. 61.297 são paulinos bancaram, óbvio, a maior arrecadação deste país em 2016, R$ 4.137.596,00.
A diretoria são paulina tem certeza que este recorde será quebrado. E a possibilidade de que todos os ingressos sejam adquiridos por sócios torcedores, pela Internet, é imensa. Como aconteceu contra o River Plate. Serão colocados 65 mil ingressos à venda.
A perspectiva de arrecadação fica entre R$ 9 milhões a R$ 11 milhões.
Os dirigentes usam a importância da partida e a relação íntima dos são paulinos com a Libertadores. E implementam à força o crescimento de seus sócios-torcedores. Como? De maneira simples e cruel.
Os ingressos para a semifinal começarão a ser vendidos na segunda-feira, dia 6. E por 20 dias ficarão ofertados apenas à quem pagar mensalidade, for sócio-torcedor. Se sobrar os bilhetes serão colocados à venda no dia 26 no Morumbi, para o são paulino 'comum'. Mas esta possibilidade é perto do zero.
Se o São Paulo chegar à final, contra o vencedor de Boca Juniors e Independente del Valle, outra vez os ingressos serão reajustados. Sinônimo para aumentados. O céu será o limite.
A meta será ultrapassar o recorde conseguido pelo Atlético Mineiro. Na final de 2013, contra o Olimpia, os dirigentes conseguiram. 56.557 pagaram nada menos do que R$ 14.176.000,00 no Mineirão...
Essa é a relação de amor entre diretoria e torcedores neste país.
E o Procon e o Ministério Público vão seguir calados diante do abuso do São Paulo. A única vez que tentaram se unir para defender os torcedores, na final da Copa do Brasil de 2013, entre Flamengo e Atlético Paranaense, foram facilmente derrotados.
Eles tentaram limitar o aumento no preço dos ingressos em 30%.
Foi história a postura do juiz da 1ª Vara, do Rio de Janeiro, Luiz Roberto Ayoub.
"É questionável o envolvimento do Poder Judiciário na quantificação do que é ou não razoável no que tange ao valor do bilhete, considerando-se a natureza privada da atividade."
A postura do magistrado prevaleceu. Abriu precedente terrível contra os torcedores. Os dirigentes desde então fazem o que querem, quando chegam as fases decisivas dos campeonatos.
Desde então, os clubes estão à vontade.
Seguem a lógica da oferta e procura.
Nos inícios de campeonatos, cobram baixo.
De acordo com a importância dos jogos, chegam os aumentos.
Indecentes.
Mas aceitos pelo amor do torcedor ao seu clube.
E com o apoio da justiça, os dirigentes fazem o que querem.
Para desencanto do Procon e do Ministério Público.
Agora, além do aumento há a chantagem.
Ou o torcedor vira sócio-torcedor ou nem pagando muito terá seu ingresso.
Resta rezar que o São Paulo tenha reforçado seus camarotes...
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