quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

EUA dizem que Copa do Brasil rendeu R$ 2 mi de propina por ano a cartolas


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Documentos revelados pelas autoridades americanas acusam Marco Polo Del Nero, Ricardo Teixeira e José Maria Marin em esquema de corrupção


O presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, teria dividido um suborno de R$ 2 milhões por ano entre 2012 e 2014 com seus antecessores, José Maria Marin e Ricardo Teixeira. A informação consta de um documento de 240 páginas tornado público nesta quinta-feira por autoridades americanas. A propina seria referente à venda dos direitos de transmissão e comerciais da Copa do Brasil e foi paga por empresas de marketing esportivo.


A Traffic era dona dos direitos da Copa do Brasil entre 2009 e 2014. Em 2011, uma empresa concorrente - cujo nome não é citado - assinou contrato com a CBF e assegurou os direitos da competição entre 2015 e 2022. Para obter esse contrato, o dono dessa empresa concorrente aceitou pagar suborno ao então presidente da CBF, Ricardo Teixeira.


A assinatura desse novo contrato gerou uma disputa entre a Traffic e esta empresa concorrente, que não é citada nos documentos americanos. Em agosto de 2012, as duas empresas chegaram a um entendimento para dividir os custos e os lucros da Copa do Brasil.

Foi quando o dono dessa nova empresa - identificado apenas como "co-conspirador #7" - informou ao dono da Traffic, J. Hawilla, que havia garantido contrato (em 2011) graças ao pagamento de propina para Ricardo Teixeira. Mas que agora seria necessário pagar suborno para outros dois cartolas: José Maria Marin e Marco Polo Del Nero.

Em abril de 2014, durante uma reunião em Miami, Hawilla pergunta para Marin e Del Nero se deve continuar pagando propina a Ricardo Teixeira - que havia deixado a presidência da CBF em março de 2012. Segundo os documentos do FBI, Marin diz:

- Está na hora de o dinheiro começar a vir na nossa direção. Verdade ou não?

Hawilla concorda:

- Claro, claro, claro. O dinheiro tem que ser dado a vocês.

Marin conclui:

- É isso mesmo. Está certo. 
GLOBO.COM

Teixeira é acusado de receber quase R$ 77 milhões por contrato da Nike

Veja as acusações do Departamento de Justiça americano contra o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero e contra o ex-presidente Ricardo Teixeira


O presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, e o ex-presidente Ricardo Teixeira foram acusados pelo Departamento de Justiça americano (DOJ) de cometerem  "diversas atividades criminais". O extenso documento de indiciamento tem 240 páginas e acusa os dirigentes brasileiros de conspiração para cometer extorsão, recebimento de propina, fraude e lavagem de dinheiro. Teixeira e Del Nero são acusados de de participar da divisão de propina por contratos referentes a três competições: Copa do Brasil, Copa Libertadores e Copa América. Além disso, o DOJ acusa Teixeira também de receber cerca de R$ 77 milhões de reais em suborno pelo contrato de patrocínio com a Nike, assinado em 1996.

Segundo os americanos, Teixeira usou seu poder como presidente da CBF e membro da Fifa para influenciar contratos e enriquecer ilegalmente. O documento cita que os primeiros escândalos de corrupção forçaram sua renúncia na CBF, em 2012. A acusação é detalhada. Ela diz que Teixeira começou a receber propina no início dos anos 90 e lista detalhes de como ele instruiu o dono da Traffic, empresa de marketing, a direcionar comissões para contas "desconhecidas":

"Por vezes, o réu Ricardo Teixeira instruiu Hawilla a fazer pagamentos em contas que Hawilla desconhecia - e que, segundo um executivo financeiro da Traffic, não eram contas da CBF".

Relatório Ricardo Teixeira (Foto: Reprodução)Relatório diz que Hawilla concordou em dar Ricardo Teixeira metade do dinheiro ganho de patrocinadores (Reprodução)
Outra empresa de marketing, a argentina T y T, é citada em outro trecho - que menciona que Teixeira, Del Nero e o também ex-presidente José Maria Marin recebiam subornos para manter seus contratos pela Copa Libertadores:

"Por diversas vezes, os réus Marco Polo Del Nero, José Maria Marin e Ricardo Teixeira e José Luiz Meisner solicitaram e receberam propinas de Alejandro Buraco e do Co-Conspirador #12 em troca de seu apoio para que a T & T mantivesse os direitos da Copa Libertadores e de outros eventos".
Ricardo Teixeira durante entrevista (Foto: Arquivo / Ag. O Globo)Ricardo Teixeira enquanto presidente da CBF (Ag. O Globo)
A Copa do Brasil, segundo os americanos, foi usada por Teixeira para receber propina desde 1990:

"Entre 1990 e 2009, o réu Ricardo Teixeira (...) solicitou e recebeu propinas de José Hawilla em conexão com a venda de direitos da Copa do Brasil".
Com a saída de Teixeira da CBF, em 2012, uma disputa aconteceu entre a Traffic e uma empresa de marketing não identificada. Essa disputa foi "sanada" numa conversa nos EUA entre Marin e Hawilla. Segundo a acusação, Marin, Del Nero e Teixeira passaram a dividir uma propina anual de R$ 2 milhões. Outra acusação é relacionada à Copa América de 2013 - quando a empresa Datisa teria pago propina a diversos dirigentes da Conmebol:

"A Datisa concordou em pagar dezenas de milhões de dólares para dirigentes da Conmebol - que também eram membros da FIFA - em conexão à Copa América de 2013. (...) O acordo previa o pagamento de um suborno de sete dígitos para cada um dos três mais importantes executivos da Conmebol (os presidentes da própria Confederação e da Federacão Argentina e da Confederação Brasileira) e para outros sete presidentes de federações em conexão com a assinatura de contrato por cada edição do torneio. E um suborno de seis dígitos a ser pago ao secretário-geral da Conmebol. Os dirigentes que solicitaram e/ou receberiam suborno incluem os réus Manuel Burga, Carlos Chavez, Luís Chirinola, Marco Polo Del Nero, Eugenio Figueiredo, Rafael Esquivel, Nicolas Leóz, Ricardo Teixeria, José Luiz Meiszner, Juan Angel Napout, José Maria Marin, o co-conspirador #1 e Luis Bedoya, entre outros. 
Relatório Ricardo Teixeira (Foto: Reprodução)Trecho diz que propinas subiram com chegadas de José Maria Marin e Marco Polo Del Nero (Foto: Reprodução)
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