segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Benfica-Feirense, 4-0 (crónica)

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A melhor forma de resumir o Benfica-Feirense é dizer que foi uma tarde feliz para a equipa de Rui Vitória. Pela vitória sobre o Feirense, que vale o regresso à liderança isolada da Liga, mas antes disso feliz pela forma como o triunfo foi construido, a disfarçar uma exibição pouco inspirada.
Os tricampeões nacionais acabaram por conseguir uma goleada, mas alicerçada em dois golos muito afortunados, antes de aparecer o talento dos «baixinhos» Cervi e Grimaldo. Um resultado algo pesado para as dificuldades que o Feirense criou (mas também a punir os «brindes»), frente a um Benfica um tanto ou quanto espremido pelas lesões.
O Feirense até criou a primeira ocasião de perigo do encontro, com Cris a aparecer bem na área mas a falhar o alvo, só que depois centrou atenções numa organização defensiva que criou problemas ao Benfica, pela forma como fechou bem o corredor central e, simultaneamente, impediu que os laterais encarnados criassem desequilíbrios.
Daí que a primeira oportunidade do Benfica tenha partido de uma arranca de Lindelof, mas depois Mitroglou e Pizzi mostraram pontaria afinada para os defesas contrários (7m).
Bem vigiado mas não conformado, Grimaldo arrancou depois um cruzamento que descobriu Salvio ao segundo poste, mas Peçanha desviou o cabeceamento do argentino (19m), que logo a seguir teve uma boa ocasião para o pé direito mas atirou ao lado.
De regresso à equipa, Luisão foi lá à frente criar perigo na sequência de um pontapé de canto (33m), mas seria um jogador do Feirense a dar vantagem ao Benfica. O lançamento lateral de Salvio não encontrou nenhum colega, mas Luís Aurélio, na tentativa de corte com o pé direito, atirou para a própria baliza (35m).
Mais um brinde antes da inspiração
O marcador alterou-se mas a tendência do jogo não. Mesmo na segunda parte o Benfica manteve o domínio territorial (ao intervalo tinha 71% de posse de bola), mas sentiu dificuldades para encontrar espaços na defesa do Feirense.
Se Salvio criou perigo ao minuto 51, com um remate ao lado, a equipa visitante também ficou perto de aproveitar um (raro) deslize de Lindelof, mas o cabeceamento de Karamanos saiu ao lado (53m).
O Feirense parecia ainda disposto a explorar uma hipotética intranquilidade do Benfica pós-Nápoles, tal como José Mota tinha sugerido, mas um segundo «brinde» sentenciou o encontro. Ao tentar tirar uma bola da sua área, o central Icaro acabou por rematar contra Salvio, que afortunadamente aumentou assim a vantagem encarnada (62m).
Só depois, já com outra tranquilidade, é que apareceu um golo mais...«normal», digamos, com Nélson Semedo a cruzar para a cabeça do baixinho Cervi, recém-entrado, a fazer o 3-0 (70m).
Ederson ainda teve de aplicar-se perante um remate de Karamanos (87m), já com o estreante Zivkovic em campo, mas para o o último lance do jogo estava reservado o melhor momento técnico da tarde: Grimaldo já andava a prometer, e desta vez marcou mesmo, de livre direto, o primeiro golo de águia ao peito.




Benfica-Feirense, 4-0 (destaques)


A figura: Salvio
A exibição do argentino reflete a prestação da equipa: pouco inspirada mas esforçada e afortunada. Trabalhou muito, mas as coisas nem sempre lhe saíram bem. Cabeceou para defesa de Peçanha ao minuto 19, atirou ao lado aos minutos 30 e 51. É de um lançamento lateral seu que nasceu o autogolo de Luís Aurélio (35m) e depois procurou a felicidade na forma como pressionou Ícaro, marcando «por acaso» (62m).
O momento: o golpe veio de onde menos se esperava
A organização defensiva do Feirense estava a criar muitas dificuldades ao Benfica e o intervalo aproximava-se a passos largos, até que um corte infeliz de Luís Aurélio, ao minuto 35, deu vantagem ao Benfica. O jogador do Feirense estava sozinho na área, para cortar um lançamento lateral longo de Salvio, mas procurou o melhor pé, o direito, e o mau posicionamento do corpo fez com que rematasse para o lado errado, batendo Peçanha.
Outros destaques:
Grimaldo
Mais uma boa exibição do lateral espanhol, embora muito vigiado por Luís Aurélio. Na primeira parte tirou um belo cruzamento para Salvio (19m), mas destacou-se sobretudo nos instantes finais: primeiro com um remate de longe a obrigar Peçanha a defesa apertada, e depois a conseguir finalmente um golo de livre direto, o primeiro de águia ao peito, há muito procurado (90m).
Luisão
De regresso ao «onze» quase dois meses depois da lesão em Tondela, e após cinco jogos no banco, o capitão do Benfica cerrou os dentes e fez uma exibição muito sólida. Confortável perante o poder fisico de Karamanos mas também seguro a controlar a profundidade, Luisão ainda provocou vários momentos de aflição na área contrária.
Ícaro
O central do Feirense fez uma bela primeira parte na Luz, a «secar» Mitroglou e tudo o mais o que aparecia (com a ajuda de Paulo Monteiro, claro), mas «manchou» a exibição com o pontapé infeliz contra Salvio, oferecendo ao argentino o golo (o segundo do Benfica).
Peçanha
Duas bolas defesas, a Salvio (19m) e Grimaldo (90m), e pouco ou nada a fazer nos quatro golos sofridos. Sobretudo quando se trata de um autogolo e um ressalto resultante de um corte de um colega contra um adversário.
Carrillo
Sétimo jogo pelo Benfica, segundo consecutivo a titular, mas ainda poucos apontamentos convincentes para o «terceiro anel». Mais do que a falta de velocidade, é a lentidão de raciocínio que trava o peruano, sobretudo quando aparece em zonas interiores. Mas mesmo na ala, onde se sente mais confortável, está a faltar capacidade de explosão.

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