sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Contas lusas obrigam a proezas inéditas de FC Porto e Sporting

Resultado de imagem para europa leagueResultado de imagem para europa league

Veja como ficou a situação no ranking depois da jornada desta quinta-feira


Sp. Braga salvou a honra do convento luso na Liga Europa e, ao vencer na Suíça, por 2-1, colocou-se em posição privilegiada para marcar presença nos oitavos de final, pela quarta vez nos últimos dez anos.
Já FC Porto e Sporting, por conta do veneno alemão, estão obrigados a proezas inéditas. Os dragões nunca anularam uma desvantagem de 2-0 na primeira mão de eliminatórias europeias, nas quatro vezes em que se depararam com essa situação - com Nantes em 1971, Hamburgo, em 1975, Standard Liège, em 1982 e Barcelona em 1985.
A derrota do FC Porto em Dortmund ficou marcado pela defesa remendada que José Peseiro se viu forçado a usar. Uma situação que já tinha sido antecipada na MF Total e que, desta vez, não disfarçou as carências portistas naquele setor. O jogo ficou também marcado pela curiosidade da estreia de Iker Casillas na segunda competição da UEFA, aos 34 anos e ao fim de 17 temporadas ao mais alto nível. Não foi uma estreia risonha, porém. A derrota por 2-0 repete o desfecho da última viagem que o guarda-redes espanhol fizera àquele estádio, em 2014, ainda pelo Real Madrid, que nesse ano se sagraria campeão europeu. Então, Marco Reus tinha marcado os dois golos alemães. Desta vez, ficou-se pelo segundo, com a ajuda involuntária de Indi – mas a verdade é que há dois anos Casillas acabou por fazer a festa mesmo perdendo, visto que a sua equipa trazia uma vantagem de 3-0 da primeira mão.



Reus, novamente carrasco de Casillas

Também o Sporting, com a derrota pela margem mínima em Alvalade, ficou obrigado a fazer o que nunca antes conseguiu: vencer na Alemanha, de onde, nos 11 confrontos anteriores trouxe apenas um empate e dez derrotas.
A tarefa é duplamente inédita, aliás, visto que o Sporting também nunca venceu o Bayer Leverkusen. A desta quinta-feira fi a quarta derrota em cinco embates europeus, saldo atenuado apenas por um empate sem golos em 2000/01. Resta aos leões acreditarem no fator Jorge Jesus: o atual técnico, esse sim, já venceu na Alemanha por duas vezes – e uma delas até foi em casa do Leverkusen, na Liga Europa 2012/13, ao serviço do Benfica.



Jorge Jesus já venceu na Alemanha, o Sporting ainda não

Historicamente, o Sporting só por uma vez no seu percurso europeu conseguiu anular uma derrota caseira na primeira mão: foi em 2010, quando garantiu o acesso à Liga Europa, retificando na Dinamarca (3-0) uma derrota com o Brondby, por 0-2, em Alvalade. Nas outras oito ocasiões em que perdeu em casa na primeira mão, o Sporting acabou por ser afastado de prova.
Contributo das equipas portuguesas para o ranking da UEFA
Os resultados desta semana, com vitórias do Benfica e do Sp. Braga, reforçaram o estatuto dos encarnados como a equipa de maior contributo para a classificação portuguesa no ranking da UEFA. Nos últimos cinco anos, o Benfica contribuiu com mais de um terço do total, seguido pelo FC Porto, e com Sporting e Sp. Braga a distância significativa. Veja como ficaram essas contas:
Total de pontos: 51,750
Benfica: 17,500 (33,8%)
F.C. Porto: 14,000 (27,0%)
Sporting: 7,500 (14,5%)
Sp. Braga: 5,000 (9,7%)
Estoril: 1,750 (3,4%)
Marítimo: 1,333 (2,6%)
Belenenses: 1,167 (2,2%)
V. Guimarães: 0,917 (1,8%)
Rio Ave: 0,917 (1,8%)
Académica: 0,667 (1,3%)
Nacional: 0,500 (1,0%)
P. Ferreira: 0,500 (1,0%)

Distribuição época a época

2015/16
Total: 55 pontos a dividir por seis equipas (9,167)
Benfica= 18 (3,000)
F.C. Porto=11 (1,833)
Sp. Braga=11 (1,833)
Sporting=8 (1,333)
Belenenses=7 (1,167)
V. Guimarães=0

2014/15
Total: 54,5 pontos a dividir por seis equipas (9,083)
F.C. Porto = 27 (4,500)
Sporting= 10 (1,667)
Benfica= 8 (1,333)
Rio Ave=5,5 (0,917)
Estoril=4 (0,667)
Nacional=0

2013/14
Total: 59,5 pontos a dividir por seis equipas (9.917)
Benfica=29 (4,833)
F.C. Porto=16 (2,667)
Estoril=6,5 (1,083)
V. Guimarães=4 (0,667)
Paços de Ferreira=3 (0,500)
Sp. Braga=1 (0,167)

2012/13
Total: 70,5 pontos a dividir por seis equipas (11.750)
Benfica=26 (4,333)
F.C. Porto=20 (3,333)
Marítimo=8 (1,333)
Sp. Braga=7 (1,167)
Sporting=5,5 (0,917)
Académica=4 (0,667)

2011/12
Total: 71 pontos a dividir por seis equipas (11.833)
Benfica=24 (4,000)
Sporting=21,5 (3,583)
Sp. Braga=11 (1,833)
F.C. Porto=10 (1,667)
Nacional=3 (0,500)
V. Guimarães=1,5 (0,250)

LE: Sporting-Bayer 

Leverkusen, 0-1 

(crónica)



O Sporting perdeu um encontro que Jesus não quis verdadeiramente ganhar. Ou pelo menos, para não sermos injustos, não quis ganhar tanto quanto quer em outras ocasiões.
O jogo, portanto, cumpriu-lhe o desejo, como aconselha a bíblia. Seja feita a vossa vontade, Senhor.
O resto foi uma demonstração demasiado óbvia da superioridade do Bayer Leverkusen, que mandou em todos os momentos do jogo. O resultado, por isso, acaba por ser lisonjeiro para o Sporting.
Mas já lá vamos.
Interessa, antes de mais, explicar por que Jorge Jesus não quis ganhar tanto o jogo como em outras ocasiões. Ora tudo se resume no fundo a dois nomes: Adrien Silva e Slimani.
Serão porventura nesta altura os jogadores mais importantes da equipa, o primeiro pela intensidade que transmite ao futebol, o segundo pela capacidade de fazer golos. O treinador deixou-os a ambos no banco, num sinal para toda a gente que este encontro não seria tão importante assim.
Perante o terceiro classificado da Bundesliga, um adversário alemão em todos os sentidos da palavra, o sinal de falta de ambição foi fatal: o Sporting fez um dos piores jogos da época.
Tanto assim, aliás, que a equipa leonina só fez um remate à baliza durante os noventa minutos: aconteceu ainda na primeira parte, num disparo de Jefferson que obrigou Leno a boa defesa.
O resto foi uma incapacidade crónica de jogar futebol.
Porquê? Porque o Bayer Leverkusen não lhe deu espaço. Tão simples quanto isso. Os alemães colocavam cinco homens no meio campo e caíam em cima do adversário instantes depois de perderem a bola. A partir daí faltou espaço para as combinações habituais do Sporting, para as trocas de bola em progressão, para o futebol rendilhado e apoiado de que Jesus tanto gosta.
A formação leonina acumulou perdas de bola em momentos de transição, passes mal feitos e tentativas de ataque que não faziam a bola chegar perto da área adversária.
O Sporting tentou muito, mas sempre longe da baliza.
Perante isto, é preciso dizê-lo desde já, foram-se acumulando também exibições medíocres de quase todos os jogadores. William e Aquilani falharam demasiados passes, Bryan Ruiz foi pouco expedito, Carlos Mané perdeu-se em iniciativas individuais, João Mário esteve sempre longe do jogo.
Já Téo Gutierrez, bem... Téo foi um desastre, lento, pesado, complicativo. Um jogador a menos.
O que é normal, no fundo. Quando a exibição coletiva é pobre, não é possível retirar o melhor de cada jogador. O Sporting nunca o retirou, é verdade, ao contrário do que fez o Bayer Leverkusen, naquele estilo de jogo alemão, muito físico, de bolas lançadas para o ataque, futebol físico, encontrões, repelões e acelerações.
O princípio era sempre o mesmo: colocar na frente, ganhar a segunda bola e abrir nas alas, a partir de onde tentava entrar no último terço para procurar uma zona de remate.
Foi dessa forma que fez um golo, atirou uma bola ao poste e criou mais três ou quatro boas ocasiões de golo. O resultado, lá está, é lisonjeiro para o Sporting.
É verdade que na última meia-hora Jorge Jesus até lançou Adrien e Slimani, sendo que ambos pouco acrescentaram ao jogo. Mas nessa altura as distâncias já estavam criadas: o tom deste jogo já tinha sido dado muito antes, e não era um tom grave para o Sporting.
No fim fez-se portanto a vontade de Jesus.
Já agora interessa dizer que a equipa já caiu fora da Liga dos Campeões, da Taça de Portugal, da Taça da Liga e ameaça cair fora da Liga Europa. Imaginam a tensão com que vai disputar cada jogo do campeonato?


LE: B. Dortmund-FC 

Porto, 2-0 (crónica)



Depois de um FC Porto «remendado» que passou o jogo desta quinta-feira à procura de equilíbrios, vai ser preciso um «super-FC Porto» para, a 25 de fevereiro, no Estádio do Dragão, dar a volta ao resultado negativo que trouxe de Dortmund (0-2). Um resultado que acaba por ser lisonjeiro, tendo em conta a entrada fortíssima dos alemães, mas a verdade é que a equipa de José Peseiro, com um onze a fugir a todas as lógicas (dois avançados para travar um lateral), acabou por conseguir equilibrar-se em termos defensivos e, depois de um golo a abrir, consentiu apenas mais um na segunda parte. No Dragão, o FC Porto vai ter de mostrar muito mais para poder aspirar a uma presença nos oitavos de final desta Liga Europa.
Ao primeiro apito do italiano Luca Banti, o Dortmund lançou-se ao ataque, com uma frente alargada, com os laterais a abrirem caminho pelas fragilizadas alas do FC Porto, com maior ênfase pela esquerda, a testar, logo de início, as adaptações que José Peseiro foi obrigado a fazer para reconstruir uma defesa órfã de Maxi Pereira, Danilo e Marcano, já para não falar de Maicon, já longe, em São Paulo. No papel, o FC Porto jogava com Varela e José Angel a fechar os flancos e Layun a juntar-se a Martins Indi no eixo. Sobre o meio-campo, Rúben Neves ocupava o lugar de Danilo, com Sérgio Oliveira e Herrera mais livres para pressionar o adversário.
No entanto, o esquema no papel ficou rapidamente amarrotado às primeiras investidas dos alemães. Varela teve de ocupar uma zona mais interior, para acompanhar Reus e era Marega que jogava praticamente como lateral, na tentativa de travar o endiabrado Schmelzer, lateral do Dortmund que marcou o ritmo do jogo nos instantes iniciais. Com Muita gente na zona central, Sérgio Oliveira também recuou no apoio a Rúben Neves, ficando apenas Herrera solto para atrapalhar a construção do Borussia. Foi, assim, um FC Porto cada vez mais atrofiado que acabou por consentir o primeiro golo, logo aos seis minutos. Canto curto sobre a esquerda, cruzamento de Mikhtaryan junto ao primeiro poste onde surgiu Piszczek a rematar de primeira. Casillas ainda defendeu o primeiro remate, mas já não conseguiu evitar a recarga de cabeça do polaco.
Bola ao centro e o FC Porto novamente em dificuldades, não só para travar as investidas do Dortmund, quase sempre pela esquerda, mas sobretudo para sair a jogar. Mal recuperava uma bola, os jogadores do FC Porto sofriam uma tremenda pressão sobre o detentor da bola e não conseguiam fazer mais de dois passes depois de passar a linha do meio-campo. Marega tentava sair com a bola nos pés, mas era rapidamente cercado e, sem apoio, desarmado. Brahimi nem isso, porque a bola nem lhe chegava. O Dortmund voltou a criar novas oportunidades, com destaque para um remate de Schmelzer às malhas laterais e outro de Kagawa, na zona central, que não passou muito longe da barra.
Mas a verdade é que, passo a passo, o FC Porto acabou por encontrar um ponto de equilíbrio entre Varela e Marega e acabou por estancar as fugas no corredor direito e, assim, retirar a intensidade que o adversário aplicou, nos minutos iniciais. O Dortmund continuava a mandar no jogo, mas agora tinha pela frente um FC Porto mais sólido que até conseguiu o seu primeiro e único remate na primeira parte. Boa combinação entre Brahimi e Varela a proporcionar o remate a Sérgio Oliveira, à figura de Burki.
De correção em correção, o FC Porto equilibrava-se e começava a ganhar confiança para dar algo mais ao jogo. O Dortmund também se adaptou rapidamente a este novo FC Porto na segunda parte, prescindindo do futebol vertiginoso, para um jogo mais pausado, com mais posse de bola, com paciência, à procura de uma falha na defesa do FC Porto, que lhe permitisse voltar a acelerar nos últimos metros. As equipas olhavam-se agora olhos nos olhos, num jogo bem mais tático. Era o momento para os treinadores interferirem a partir do banco. Thomas Tuchel prescindiu de Sahin, recuperado há pouco de lesão e ainda sem ritmo competitivo, para lançar Leitner. José Peseiro abdicava de Brahimi, pouco influente no corredor esquerdo, para lançar André André.
Novo desequilíbrio e golo de Reus
O jogo estava agora mais tenso, cpom mais choque e, na sequência de uma falta de Marega sobre Schmelzer, Rui Barros e Alexandre Santos, adjuntos de Peseiro, entraram em campo e acabaram por receber ordem de expulsão. O Dortmund procurava a velocidade que perdeu, o FC Porto procurava uma abertura para se aproximar da distante baliza de Burki. Uma investida de Kagawa na zona central acabou por voltar a desequilibrar a defesa portista aos 71 minutos. O japonês procurou uma fenda na zona central, abriu na direita para Mirkhtaryan que, por sua vez, atrasou para o remate de Reus. A bola ainda sofreu um desvio em Martins Indi e traiu Casillas.
Com vinte minutos para o final, Peseiro ainda lançou Evandro e Suk para procurar um golo que deixasse a eliminatória mais acessível, mas foi o Dortmund que esteve novamente perto do golo, com uma fulgurante cabeçada de Mirkharyan que foi devolvida pelo poste. Já nos instantes finais, Suk teve uma oportunidade soberana para chegar ao golo, mas Burki defendeu.
A equipa de José Peseiro regressa, assim, a casa com uma montanha para subir, dentro de uma semana, no Dragão, até porque o FC Porto nunca conseguiu dar a volta uma derrota por 0-2.

Sion-Sp. Braga, 1-2 

(crónica)


Vitória perante um adversário que ainda não tinha perdido em casa, aplausos de quase dois milhares de adeptos portugueses na bancada e a porta dos oitavos-de-final escancarada.
O Sp. Braga foi a única equipa portuguesa a vencer esta noite na Liga Europa e é a que tem melhores condições de continuar na competição.
Num jogo difícil, em que Paulo Fonseca teve de fazer uma alteração no seu habitual onze – sem Goiano teve de adaptar Wilson Eduardo a lateral-direito – os minhotos valeram-se de uma tremenda eficácia para conseguirem uma importante vitória, por 1-2, em casa do Sion.

FICHA DE JOGO DO SION-SP. BRAGA
Entraram bem no jogo os arsenalistas... De tal forma que aos 13’ minutos já inauguravam o marcador. E que golo de Stojiljkovic! Abertura longa de André Pinto e o avançado sérvio a encher o pé direito para atirar cruzado.
Um grande momento de futebol, que seria um bom tónico para a equipa de Paulo Fonseca se os suíços não tivessem acordado ainda que ao retardador com este estremeção.
Luiz Carlos e Vukcevic tiveram dificuldades em conta do recado no meio-campo defensivo quando o 4-2-3-1 dos suíços encaixou no 4-4-2 bracarense, que deixava uma espécie de buraco na frente da defesa.
A saída forçada por lesão de Lacroix, aos 23’, até parecia uma contrariedade para Didier Tholot, mas acabou por não o ser. Em desvantagem, o treinador francês decidiu arriscar a troca do defesa-central pela entrada de Assifuah e a partir daqui o Sion passou a criar perigo real junto da baliza de Matheus.
O extremo ganês pelo flanco direito e o ponta-de-lança senegalês Konaté protagonizaram uma mão cheia de oportunidades.
Os cinco minutos finais da primeira parte acabaram por ser sufocantes. Brinde de Boly para desperdício de Konaté (40’), bomba de Saratic de fora da área (44’) e, melhor ainda, remate cruzado de Assifuah, na área com a bola a sair a centímetros do poste.
Veio o intervalo, mas o Braga voltou a não ter descanso no início segunda parte e nem foi de estranhar o golo dos suíços (53’): Konaté, bem servido na área, bailou na frente de Boly antes de rematar cruzado para o empate.
Parecia que a balança penderia para os suíços, que estavam por cima do jogo, mas o que aconteceu foi precisamente o contrário.
A equipa de Paulo Fonseca reagiu da melhor forma, mostrou maturidade e beneficiou de um lance de inspiração de Rafa. O talento do jovem prodígio apareceu aos 61’, quando recebeu a bola na esquerda, entrou na zona central e à entrada da área disparou sem hipóteses para o guarda-redes letão Vanins.
Estava feito o 1-2 e daqui em diante o Sp. Braga geriu o resultado, apesar de ter terminado o jogo com dez, por expulsão em cima do minuto 90 de Vukcevic, que viu o segundo amarelo por retardar a sua substituição e quase perdeu a cabeça nos protestos com o árbitro ucraniano.
Nada que abale um triunfo fora que pode ser decisivo no desfecho da eliminatória.
O Sp. Braga de gabarito euripeu está de volta, prossegue o notável percurso na Liga Europa e tem as portas dos oitavos-de-final abertas.
E se o sonho de chegar à final, como em 2011, se repetir?



Nenhum comentário:

Postar um comentário